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imobiliário - Colliers

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IA, sustentabilidade e geopolítica vão redesenhar o futuro do imobiliário corporativo

15 de julho de 2026

O imobiliário corporativo está a entrar numa nova fase de transformação estrutural, impulsionada pela inteligência artificial, pela transição energética, pelas alterações demográficas, pelos riscos climáticos e pela reorganização da economia global. A conclusão é da Colliers, que, no relatório Building Resilience: 5 Megatrends Redefining Corporate Real Estate, identifica as cinco megatendências que irão influenciar o desenvolvimento e a gestão dos ativos imobiliários nas próximas décadas.

De acordo com a consultora, as empresas deixaram de olhar para os imóveis apenas como espaços de trabalho, passando a privilegiar edifícios capazes de responder a desafios relacionados com a atração de talento, a inovação tecnológica, a sustentabilidade e a resiliência operacional.

"O imobiliário corporativo deixou de ser apenas uma questão de localização e custos operacionais. As organizações procuram hoje ativos capazes de responder a desafios relacionados com talento, tecnologia, sustentabilidade, resiliência e segurança energética", afirma Pedro Valente, diretor-geral da Colliers em Portugal.

Inteligência artificial muda a forma de ocupar escritórios

Entre as principais tendências destacadas pela Colliers está a crescente integração da inteligência artificial nos ambientes de trabalho. A automatização de processos e a evolução dos modelos laborais deverão conduzir a uma nova geração de escritórios, mais flexíveis, tecnologicamente preparados e orientados para a colaboração.

Em paralelo, o aumento das necessidades computacionais associadas à IA deverá impulsionar a procura por data centers e infraestruturas digitais, criando novas oportunidades de investimento neste segmento.

Talento passa a influenciar a localização das empresas

As alterações demográficas surgem como outro dos factores com maior impacto no mercado. O envelhecimento da população e a escassez de mão-de-obra qualificada estão a obrigar as empresas a repensarem as suas estratégias de localização.

Segundo o relatório, fatores como qualidade de vida, mobilidade e acessibilidade ganharão cada vez mais peso na escolha dos locais onde instalar operações, numa tentativa de atrair e reter talento.

Eficiência energética torna-se um critério estratégico

A pressão sobre os sistemas energéticos está igualmente a alterar os critérios de valorização dos edifícios. A consultora considera que os activos mais eficientes e preparados para integrar energias renováveis estarão melhor posicionados para responder às exigências dos ocupantes, dos investidores e dos financiadores, reduzindo simultaneamente os riscos associados à volatilidade dos custos energéticos.

Alterações climáticas influenciam o valor dos activos

O agravamento dos fenómenos climáticos extremos é apontado como outro fator determinante para o futuro do sector.

A Colliers alerta que imóveis localizados em zonas mais vulneráveis poderão enfrentar maiores custos de seguros, financiamento e manutenção, enquanto edifícios concebidos para responder aos desafios climáticos tenderão a beneficiar de maior procura e valorização.

Geopolítica cria novas oportunidades

A reorganização das cadeias globais de abastecimento, impulsionada pelos processos de nearshoring e pela procura de maior autonomia estratégica, deverá também alterar a geografia do investimento imobiliário.

Neste contexto, mercados capazes de oferecer estabilidade política, talento qualificado e infraestruturas modernas poderão captar novas unidades industriais, plataformas logísticas e centros corporativos.

Investidores regressam ao mercado

O estudo conclui ainda que o sector imobiliário internacional começa a entrar num novo ciclo de crescimento, depois do ajustamento provocado pela subida das taxas de juro e pela incerteza económica.

A melhoria das condições de financiamento está a devolver confiança aos investidores, sobretudo em segmentos considerados mais resilientes, como logística, habitação, data centers e infraestruturas digitais.

Segundo Pedro Valente, a sustentabilidade deixou de representar apenas um factor diferenciador para passar a assumir um papel central na preservação do valor dos activos.

"A procura por ativos 'future-proof' está a redefinir os critérios de investimento. A sustentabilidade deixou de ser apenas um factor de diferenciação para se tornar um elemento essencial na preservação de valor e na atracção de capital."

Apesar da melhoria gradual do acesso ao crédito, a Colliers refere que os financiadores continuam mais selectivos, privilegiando projetos com fundamentos sólidos, elevada qualidade construtiva e estratégias claras de criação de valor. Este contexto deverá favorecer operações de reabilitação e reposicionamento de ativos, sobretudo nos mercados urbanos mais consolidados.

Para a consultora, o próximo ciclo imobiliário será marcado por uma maior disciplina na alocação de capital, pela integração dos critérios ESG nas decisões de investimento e pela crescente valorização de ativos preparados para responder aos desafios tecnológicos, ambientais e económicos do futuro.