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Governo quer ligação ferroviária à base aérea e modernizar linha em Beja

Os novos comboios fabricados pela suíça Stadler. Foto CP

Governo quer ligação ferroviária à base aérea e modernizar linha em Beja

4 de março de 2026

O Governo quer construir uma ligação ferroviária à Base Aérea n.º 11 (BA11) de Beja e avançar com obras de modernização da linha entre a capital do Baixo Alentejo e a Funcheira, foi hoje revelado.

As intenções foram anunciadas pelo secretário de Estado das Infraestruturas, Hugo Espírito Santo, na audição sobre a linha Casa Branca-Beja realizada na comissão parlamentar de Infraestruturas, Mobilidade e Habitação.

“Queremos ligar esta linha à Base Aérea de Beja. É um investimento que faz todo o sentido. Não é uma alternativa ou uma variante de Cuba a Beja. É a partir da linha que está a ser renovada fazer uma ligação” à BA11, precisou.

O secretário de Estado aludiu a “uma discussão em curso com a União Europeia sobre mobilidade militar”, indicando que o troço entre Casa Branca, no concelho de Montemor-o-Novo, distrito de Évora, e Beja “faz parte do corredor de mobilidade militar”.

“E, portanto, queremos colocar este troço Casa Branca-Beja e ligação à Base Aérea de Beja como parte do eixo de mobilidade militar”, prosseguiu.

Segundo Hugo Espírito Santo, a empresa pública Infraestruturas de Portugal (IP) já foi mandatada a “analisar soluções alternativas para assegurar” esta ligação, “num projecto subsequente” ao da modernização da linha Casa Branca-Beja.

O secretário de Estado das Infraestruturas disse que o Governo também já solicitou à IP que faça o estudo prévio para a modernização da ligação ferroviária entre Beja e Funcheira, no concelho de Ourique, desativada há alguns anos.

“Na verdade, precisamos de ter uma redundância na capacidade de aceder ao Porto de Sines e esta é a redundância. Ou seja, Sines, Alcácer do Sal, Ourique, Beja e, depois, Caia”, justificou o responsável.

Além disso, salientou, o troço Beja-Funcheira “pode fazer parte” da ligação de alta velocidade ao Algarve.

Na audição, o governante revelou que os ministérios das Infraestruturas e Habitação e do Ambiente e Energia estão a “preparar uma resolução do Conselho de Ministros para aprovar a despesa e plurianualidade da obra” no troço Casa Branca-Beja, a qual admitiu poder estar pronta “nos próximos dias”.

De acordo com Hugo Espírito Santo, essa resolução vai “assumir os 20 milhões que estão no programa operacional Alentejo 2030” e substituir os fundos deste programa entretanto retirados (os 60 milhões) por verbas do programa Sustentável 2030 e do Fundo Ambiental.

Em Novembro do ano passado, a Comissão Europeia propôs uma rápida movimentação das forças armadas na União Europeia, com remoção das barreiras e criação de um quadro de emergência, para um espaço de livre circulação “Schengen militar” até 2027.

A proposta da Comissão para o próximo Quadro Financeiro Plurianual (2028–2034) prevê 10 vezes mais de orçamento disponível para a mobilidade militar, com um total proposto de 17,65 mil milhões de euros no futuro Mecanismo Interligar a Europa, destinado a investimentos em infraestruturas de transporte de dupla utilização da rede.

Para concretizar esta livre circulação eficaz das forças armadas da União, a Comissão Europeia vai identificar 500 projectos prioritários nos corredores de mobilidade militar para eliminar estrangulamentos.

LUSA/DI