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Construção vive ciclo favorável, mas continua sem reformas estruturais - conclui barómetro

Imagem gerada por IA em Freepik

Construção vive ciclo favorável, mas continua sem reformas estruturais - conclui barómetro

29 de janeiro de 2026

O sector da construção em Portugal atravessa um momento económico positivo, marcado por crescimento e elevada procura, mas continua a adiar mudanças estruturais, mantendo fragilidades históricas como a pequena dimensão das empresas, fraca internacionalização e dificuldades persistentes ao nível da mão-de-obra e da inovação. As conclusões constam do Barómetro da Indústria da Construção em Portugal 2025, divulgado esta quarta-feira.

O estudo, promovido pela Fundação Mestre Casais em parceria com a AICCOPN, baseia-se em respostas anónimas de 40 presidentes executivos de empresas com alvarás das classes mais elevadas. A principal conclusão é clara: “o sector sabe o que precisa de mudar, mas apenas um número reduzido de empresas está a fazê-lo”.

Apesar do contexto favorável — com 88% das empresas a prever cumprir ou superar objectivos e todas a anteciparem crescimento em 2025 — o barómetro alerta para uma base frágil, sustentada sobretudo pela procura imediata, em especial no segmento residencial, que lidera o crescimento (39%), seguido de outros edifícios (31%) e infraestruturas (30%). “Há mercado e há procura, mas não há ganhos estruturais de produtividade”, sublinha o estudo.


A análise revela ainda um sector muito fragmentado: 85% das empresas têm menos de 250 trabalhadores e 62,5% facturam menos de 20 milhões de euros por ano, mesmo entre operadores do topo da cadeia. Apenas 5% ultrapassam os 500 milhões de euros de volume de negócios. Esta realidade limita a capacidade de investir em investigação e desenvolvimento, digitalização e industrialização, refere o barómetro.

Do ponto de vista institucional, os CEO distinguem o bom momento do mercado da fraca avaliação das políticas públicas. A confiança na economia desceu ligeiramente face a 2024 e apenas 43% considera adequado o investimento público em infraestruturas, enquanto metade discorda das políticas públicas de habitação. O dinamismo actual resulta sobretudo da pressão do mercado privado, identificado por 42% dos inquiridos como principal motor, acima do Estado (35%) e das autarquias (23%).

Imagem DC Studio em Freepik


A escassez de mão-de-obra qualificada (47%) e o envelhecimento da força de trabalho (41%) surgem como os principais bloqueios estruturais, levando os responsáveis a concluir que o maior risco ao crescimento “não é a falta de procura, mas a incapacidade de executar”. No plano da produtividade, os desafios passam pela inovação em métodos e materiais, formação e digitalização; ainda assim, apenas 3% a 5% das empresas adoptaram iniciativas concretas em áreas como inteligência artificial, industrialização ou sustentabilidade.

Também a sustentabilidade continua a ser tratada de forma incipiente. Embora 60% das empresas tenham práticas parciais, só 5% a integram plenamente nos seus modelos operativos, com os critérios ESG a permanecerem, na maioria dos casos, mais declarativos do que efectivamente implementados.

Em síntese, o barómetro conclui que a construção portuguesa cresce, mas continua a adiar as reformas estruturais necessárias para ganhar escala, produtividade e resiliência no médio e longo prazo.