
Construção modular - Foto Grupo Casais
Construção e imobiliário aceleram em 2026, mas falta de mão de obra ameaça crescimento
O sector da construção e do imobiliário em Portugal deverá manter um ritmo elevado de actividade em 2026, impulsionado por grandes investimentos públicos e privados, mas enfrenta um constrangimento crítico: a escassez de talento qualificado. De acordo com o Guia Hays 2026, o défice de trabalhadores no sector já ultrapassa os 100 mil profissionais, colocando pressão sobre prazos, custos e capacidade de execução das obras.
A obrigatoriedade do uso de metodologias BIM nas obras públicas, a crescente industrialização da construção e a sustentabilidade como padrão estão a transformar profundamente o sector. Estas mudanças intensificam a procura por perfis híbridos, que combinem competências de engenharia com conhecimento digital, ao mesmo tempo que reforçam a dependência da imigração e de programas de formação acelerada.
Segundo João Fonseca, manager da Hays, “a digitalização, o BIM e a sustentabilidade estão a transformar a construção, mas esta transformação só é possível com talento preparado para responder a novos níveis de complexidade técnica”.
Cinco tendências que vão marcar 2026
O estudo identifica cinco grandes tendências para o próximo ano: a digitalização obrigatória com a generalização do BIM e de tecnologias como gémeos digitais, IoT e inteligência artificial; a sustentabilidade como norma, com maior exigência de edifícios NZEB e certificações ambientais; o crescimento da construção modular e da impressão 3D; a escassez estrutural de mão de obra, que torna a imigração inevitável; e a continuidade do investimento público, alavancado pelo PRR e pelo Portugal 2030, incluindo projectos como o TGV e o novo aeroporto.
Perfis mais procurados e salários sob pressão
Gestores de projecto, directores e encarregados de obra, especialistas BIM e preparadores de obra estão entre os perfis mais procurados. A falta de profissionais está a impulsionar aumentos salariais e a obrigar as empresas a reforçar os pacotes de benefícios, com destaque para viatura de serviço, seguro de saúde familiar, formação contínua, modelos de trabalho mais flexíveis e apoio à mobilidade internacional.
O Guia Hays conclui que, apesar do dinamismo do sector e da crescente inovação, a incapacidade de atrair e reter talento qualificado continua a ser o principal entrave à concretização dos projectos e ao crescimento sustentado da construção e do imobiliário em Portugal.














