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Condições do crédito à habitação pesam mais na escolha do banco em Portugal - estudo
Os portugueses são os europeus que mais valorizam condições favoráveis no crédito à habitação na escolha do banco principal, num mercado que combina forte adesão ao digital com a manutenção da confiança nas agências físicas, conclui um estudo.
De acordo com o estudo “Top 7 Retail Banking Distribution Trends for 2026”, da consultora Oliver Wyman, 21% dos clientes em Portugal dão prioridade a ofertas de crédito à habitação atractivas, mais do dobro da média europeia (8%), enquanto 17% destacam preços ou comissões mais baixos.
“Num contexto em que o mercado imobiliário atingiu níveis historicamente elevados, os portugueses demonstram um comportamento financeiro especialmente racional”, afirmou o responsável principal da consultora Miguel Ribeiro, citado em comunicado.
Abertura à IA
O relatório, baseado num inquérito a cerca de 5.000 clientes de banca de retalho em nove países europeus, revela também que Portugal se destaca pela abertura à inovação tecnológica, nomeadamente à utilização de Inteligência Artificial (IA).
Mais de metade dos inquiridos portugueses (52%) admite confiar na IA para aconselhamento financeiro, acima da média europeia de 40%, e 48% dizem sentir-se confortáveis com sistemas que executem operações financeiras no seu nome.
Ao mesmo tempo, 83% mostram-se disponíveis para interacções com gestores através de canais digitais, como vídeo, evidenciando uma forte receptividade ao atendimento remoto.
Apesar desta tendência, a confiança no contacto presencial mantém-se.
Contacto físico ou digital?
Cerca de 64% dos portugueses consideram necessária uma reunião física em decisões financeiras relevantes, como o crédito à habitação, e 91% afirmam que é importante que o banco tenha uma agência física.
No dia a dia, predominam os canais digitais: 84% preferem utilizar aplicações ou ‘websites’ para gerir as finanças e 67% dizem não recorrer a agências para operações correntes.
O estudo apontou ainda para uma crescente abertura aos bancos digitais, uma vez que cerca de 58% dos portugueses admitem utilizar um ‘neobanco’ como conta principal, com o país a surgir entre os mais disponíveis na Europa para fazer esta transição num futuro próximo.
Também no financiamento ao consumo, mais de metade dos inquiridos (53%) mostra-se receptiva a soluções “Buy Now, Pay Later” (BNPL), embora a maioria prefira que estas sejam disponibilizadas pelo banco principal.
Segundo a consultora, o mercado português evidencia um “equilíbrio” entre digitalização e proximidade humana, tendência que deverá marcar o sector em 2026.
Um mercado e um sector em transformação
“As instituições que prosperarão serão aquelas que oferecerem aconselhamento suportado por IA, mantendo simultaneamente uma rede de agências que esteja focada em gerir situações complexas e decisões financeiras de maior risco”, afirma também a responsável principal da consultora Joana Freixa, citada em comunicado.
O estudo conclui que, apesar da rápida transformação digital, a confiança continua a ser um factor central na relação dos portugueses com a banca, sobretudo em momentos de maior impacto financeiro.
Lusa/DI















