
CC Colombo, em Lisboa
Rendas prime dos centros comerciais em Lisboa sobem 8,1% ao ano
As rendas prime dos centros comerciais em Lisboa aumentaram, em média, 8,1% ao ano nos últimos três anos, a maior subida entre as principais cidades europeias, a par de Milão, segundo o European Shopping Centre Spotlight H1 2026, da Savills.
A consultora relaciona a valorização das rendas com a reduzida disponibilidade de espaços comerciais. Em 2025, a taxa de desocupação em Lisboa situou-se em 3,1%, uma das mais baixas da Europa, apenas acima dos 1,3% registados em Milão.
escassez de espaços disponíveis e a elevada procura pelas melhores localizações têm pressionado as rendas em alta. Em paralelo, as yields dos centros comerciais em Lisboa desceram 25 pontos base, o que significa que os investidores estão dispostos a pagar mais pelos ativos para obter o mesmo rendimento, sinal de maior procura e valorização. A mesma tendência foi registada em Praga, Milão e Londres.
Investimento europeu recupera
A evolução em Lisboa ocorre num contexto de recuperação do setor na Europa. A Savills prevê que as vendas a retalho cresçam 1,3% em 2026, com maior dinamismo na Europa Central e de Leste e nos países nórdicos, seguidos pelo Reino Unido e pela Península Ibérica.
A taxa média de desocupação dos centros comerciais europeus caiu de 9,7% para 9,1% em 2025, naquela que terá sido a primeira descida em dez anos.
O investimento europeu em centros comerciais atingiu 12 mil milhões de euros em 2025. No primeiro semestre de 2026, estes ativos representaram 34% do investimento total no setor de retalho, a percentagem mais elevada desde 2022.
Segundo James Burke, diretor de Global Cross Border Investment da Savills, o perfil dos investidores varia entre mercados, mas mantém-se a procura por ativos de qualidade, seja pela localização, características do imóvel ou potencial de valorização.
Saúde, restauração e lazer ganham espaço
O relatório antecipa também alterações na composição das lojas dos centros comerciais, influenciadas, entre outros fatores, pelo envelhecimento da população europeia.
As áreas de saúde, farmácias e beleza deverão estar entre as categorias com maior crescimento até 2030, com uma progressão anual próxima de 4%. Em contrapartida, as vendas de vestuário e calçado deverão crescer cerca de 1% ao ano e as de artigos para o lar 2%.
Chris Nichols, analista da área de European Research da Savills, considera que alimentação e moda deverão manter um papel relevante, mas prevê maior expansão dos operadores ligados à saúde, restauração, lazer e serviços.
Portugal tem oferta limitada
Portugal dispõe de cerca de três milhões de metros quadrados de centros comerciais, um dos volumes mais reduzidos entre os principais mercados europeus analisados pela Savills.
A oferta limitada, conjugada com a baixa desocupação, ajuda a explicar a evolução das rendas em Lisboa. A consultora prevê que a taxa de espaços vagos continue a diminuir na Europa e que as rendas prime mantenham uma trajetória de subida, sobretudo nos centros comerciais de maior qualidade.
Patrícia Matias, diretora de Retail Services da Savills Iberia, considera que, em mercados com pouca disponibilidade como Lisboa, a ausência de novos projetos e a procura pelos melhores ativos deverão continuar a pressionar as rendas prime nos próximos anos.



















