Logo Diário Imobiliário
CONSTRUÍMOS
NOTÍCIA
JPS Group 2024Porta da Frente
Habitação
Estúdio - Casa

Estúdio - Casa

Procura por T0 e T1 cresce 30% num ano no mercado imobiliário português

9 de março de 2026

Os apartamentos compactos estão a ganhar cada vez mais protagonismo no mercado imobiliário português. De acordo com dados do Imovirtual, a procura por apartamentos T0 e T1 cresceu 30% num ano, passando de 17,19% para 22,34% do total de pesquisas na plataforma.

Numa análise do portal imobiliário que compara os dois últimos períodos de inverno (Dezembro a Fevereiro), actualmente, mais de um em cada cinco interessados em comprar casa procura este tipo de tipologia, refletindo mudanças estruturais na forma como as pessoas vivem e escolhem habitação.

Dentro deste segmento, os T0 são a tipologia que mais cresce, com um aumento de 50,7% nas pesquisas. Já os T1 registaram uma subida de 27,1%, confirmando que os apartamentos de menor dimensão estão a ganhar protagonismo no mercado. A tendência sugere uma transformação progressiva nas preferências habitacionais, impulsionada por estilos de vida mais flexíveis, maior mobilidade profissional e pela necessidade de encontrar soluções habitacionais mais acessíveis.

Do lado da oferta, o Imovirtual avança que o mercado começa a adaptar-se, mas ainda a um ritmo mais lento. O peso dos anúncios de T1 aumentou de 2,15% para 2,57%, sinalizando uma maior presença deste tipo de imóveis na oferta disponível. Ainda assim, a oferta de apartamentos compactos continua bastante reduzida, representando menos de 3% do total de imóveis anunciados, o que evidencia um desfasamento entre a procura e a disponibilidade deste tipo de tipologias no mercado.

A valorização dos T1 acompanha esta tendência. O preço médio passou de 220.000 euros para 240.000 euros entre o Inverno de 2024/25 e o Inverno de 2025/26, representando uma subida de 9,1%. Apesar desta valorização, os T1 mantêm-se como uma das principais portas de entrada no mercado de compra: em média, continuam 100.000 euros mais baratos do que os T2, o que representa uma diferença de cerca de 42%.

A evolução não é homogénea em todo o território. Algumas regiões destacam-se pela valorização mais expressiva deste tipo de imóveis. Na Madeira, o preço médio dos T1 subiu 43,5%, atingindo cerca de 330.000 euros. No distrito de Faro, a valorização foi de 40,5%, com os preços a situarem-se em torno dos 295.000 euros. Já em Lisboa, um dos mercados mais pressionados do país, os T1 registaram uma subida de 15,2%, alcançando um preço médio de 357.000 euros.

“O crescimento da procura por apartamentos compactos reflete uma mudança estrutural no mercado imobiliário. Cada vez mais pessoas privilegiam localização, mobilidade e acessibilidade financeira em detrimento de áreas maiores. Os T1 e T0 estão a afirmar-se como uma porta de entrada cada vez mais relevante para a compra de casa. Ao mesmo tempo, medidas recentes que procuram estimular o acesso dos jovens à habitação poderão também estar a contribuir para este aumento da procura por tipologias mais compactas. Ainda assim, a oferta disponível continua bastante limitada face ao nível de procura", salienta Sylvia Bozzo, Marketing Manager do Imovirtual.

Vários factores ajudam a explicar esta tendência. A transformação demográfica nas cidades, com mais pessoas a viver sozinhas ou em casal sem filhos, tem vindo a alterar o perfil da procura. Ao mesmo tempo, a pressão sobre os rendimentos e o aumento dos preços da habitação levam muitos compradores a procurar tipologias mais compactas como primeira solução de compra.

A crescente procura por T0 e T1 evidencia assim uma mudança mais profunda no mercado residencial português. Mais do que uma tendência pontual, a ascensão dos apartamentos compactos reflecte novas prioridades urbanas, onde a localização, a flexibilidade e a eficiência do espaço ganham protagonismo na decisão de compra.