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Habitação

Preços das habitações em Portugal continuarão a subir até pelo menos 2026

13 de dezembro de 2024

A consultora Agenda Urbana projecta que os preços das habitações em Portugal continuarão a subir até pelo menos 2026, mesmo com a estabilização dos juros. 

Os principais factores apontados pela consultora incluem a escassez de mão-de-obra qualificada e a demora na implementação de medidas estruturais, como o programa "Construir Portugal" e o Orçamento de Estado para 2025 (OE2025).

Apesar do aumento da procura, impulsionada por taxas de juros mais baixas e medidas governamentais direccionadas, como isenções fiscais para jovens, o sector enfrenta desafios críticos.

A Agenda Urbana indica que a falta de mão-de-obra – estimada entre 80.000 e 90.000 profissionais – eleva os custos de construção, mesmo com a estabilização dos preços dos materiais.

Este défice, aliado à burocracia e atrasos em programas como o Plano de Recuperação e Resiliência (PRR), agrava a crise de oferta. "O futuro da habitação em Portugal dependerá de uma combinação de fatores. A sustentabilidade do mercado exigirá a implementação eficaz das políticas de oferta, em particular da oferta de habitação a preços acessíveis. O planeamento urbano inclusivo, aliado a uma gestão eficiente dos recursos públicos e privados, será essencial para criar soluções habitacionais que respondam às necessidades da população", revela Álvaro Santos, CEO da Agenda Urbana, sublinhando a necessidade urgente de abordagens inovadoras.

A consultora revela um balanço do sector:

•       Crescimento dos preços: Entre 2015 e 2023, o aumento acumulado foi de 105,8%, com 2024 apresentando mais uma subida de 11% no valor médio de avaliação bancária nos primeiros 10 meses.

•       Procura em alta: Os estrangeiros investiram mais de €2.500 milhões no setor imobiliário em 2024, enquanto o saldo migratório positivo ultrapassou 155.000 pessoas em 2023.

•       Défice de licenciamento: Apenas 28.000 novas unidades foram licenciadas em 2024, número insuficiente para equilibrar a procura crescente.

A Agenda Urbana refere ainda que o programa "Construir Portugal", lançado em 2024, promete reforçar a oferta por meio de medidas como incentivos fiscais, revisões urbanísticas e apoio à habitação acessível. O OE2025 também prevê um investimento adicional de €2.800 milhões para acelerar a construção ou reabilitação de habitação social, com a meta de alcançar 59.000 fogos até 2030.

Contudo, tal como a consultora, também os analistas alertam que o impacto dessas medidas só deverá ser sentido no médio prazo, enquanto os desafios estruturais continuam a pressionar o mercado.

Perspectivas para 2025

A consultora refere que o mercado imobiliário enfrenta actualmente um período de ajustamento. A expansão da construção modular e industrializada é vista como a solução mais promissora para mitigar os custos e estabilizar os preços, mas a falta de mão-de-obra e a burocracia são riscos significativos a curto prazo.

Contudo, o fortalecimento das políticas públicas habitacionais e a aposta em inovação podem plantar as sementes para um mercado mais equilibrado no futuro. O sucesso desta transição dependerá da capacidade do país em transformar as boas intenções em resultados concretos.