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Preços das casas voltam a bater recorde em Junho apesar de ligeira desaceleração

1 de julho de 2026

Os preços das casas em Portugal voltaram a atingir um máximo histórico em Junho, mantendo a trajectória de valorização iniciada há vários meses, ainda que a um ritmo mais moderado. Segundo o índice de preços do idealista, o valor mediano da habitação para venda fixou-se nos 3.156 euros por metro quadrado, uma subida de 8,9% face ao mesmo mês de 2025.

Embora o crescimento anual tenha desacelerado em relação aos 10,2% registados em Maio, este é já o oitavo mês consecutivo em que o mercado estabelece um novo recorde de preços. Em termos trimestrais, a valorização foi de 1,6%.

Para Ruben Marques, porta-voz do idealista, o mercado começa a dar alguns sinais de estabilização, mas a escassez de oferta continua a impedir uma correção mais expressiva dos preços. "O mercado dá alguns sinais de moderação, mas a falta de oferta continua a impedir uma correção dos preços. Enquanto a procura se mantiver elevada e o número de casas disponíveis para venda continuar limitado, será difícil assistir a uma desaceleração mais significativa da valorização da habitação".

Capitais de distrito do interior lideram subidas

Apesar de Lisboa continuar a ser a cidade mais cara para comprar casa, foram os mercados do interior que registaram as maiores valorizações anuais.

Portalegre lidera o ranking, com uma subida de 25,8%, seguida de Castelo Branco (24,3%), Santarém (24,2%), Beja (23,5%) e Viseu (23,2%). Também Bragança, Coimbra, Leiria, Viana do Castelo e Faro apresentaram crescimentos superiores a 14%.

Em sentido contrário, Lisboa (5,8%), Porto (6,9%), Funchal (7,6%) e Évora (8,1%) registaram aumentos mais moderados.

Apesar disso, Lisboa mantém-se destacada como a cidade mais cara do país, com um preço mediano de 6.107 euros por metro quadrado, seguida do Porto (4.053 euros/m²), Funchal (3.921 euros/m²), Faro (3.766 euros/m²) e Setúbal (3.143 euros/m²).

No extremo oposto, Guarda continua a apresentar o preço mais baixo entre as capitais de distrito, com 1.019 euros por metro quadrado, seguida de Portalegre, Castelo Branco e Bragança.

Distritos do interior e ilhas continuam a valorizar

A análise por distritos e ilhas confirma a tendência de valorização generalizada. Os preços aumentaram em 25 dos 26 territórios analisados, sendo o Faial a única exceção, com uma descida de 11,9%.

As maiores subidas registaram-se na ilha de Santa Maria (37,4%), Porto Santo (25,1%), ilha Terceira (24,2%), Coimbra (21,6%), Castelo Branco (20,4%) e Santarém (20,3%).

Também Viana do Castelo, Portalegre, Viseu, Leiria, Guarda, Setúbal e Braga apresentaram crescimentos expressivos, enquanto Lisboa (7,2%), Porto (5,2%) e São Miguel (5,8%) registaram aumentos mais contidos.

No que respeita aos preços, Lisboa continua a liderar entre os distritos, com 4.724 euros por metro quadrado, seguida de Faro (4.069 euros/m²), Madeira (3.700 euros/m²), Porto Santo (3.638 euros/m²) e Setúbal (3.360 euros/m²).

A Guarda permanece como o distrito mais acessível para comprar habitação, com um preço mediano de 889 euros por metro quadrado.

Alentejo é a região que mais valoriza

A valorização dos preços estendeu-se a todas as regiões do país, mas foi o Alentejo que registou o maior crescimento anual, com uma subida de 18,7%.

Seguem-se o Centro (14,3%), os Açores (10%), o Algarve (9,6%), a Área Metropolitana de Lisboa (8%) e a Madeira (7,5%). O Norte apresentou a evolução mais moderada, com uma valorização de 5,5%.

Apesar do maior dinamismo de outras regiões, a Área Metropolitana de Lisboa continua a concentrar os preços mais elevados do país, com um valor mediano de 4.403 euros por metro quadrado. O Algarve surge na segunda posição (4.069 euros/m²), seguido da Madeira (3.697 euros/m²).

Já o Centro mantém-se como a região mais acessível para adquirir habitação, com um preço mediano de 1.786 euros por metro quadrado.

Os dados do idealista mostram que, embora o ritmo de crescimento dos preços tenha abrandado ligeiramente, o mercado residencial português continua marcado por uma forte pressão da procura e por uma oferta insuficiente, fatores que continuam a sustentar novos máximos históricos nos valores da habitação.

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