
Nómada digital
Porto e Lisboa entram no top 10 mundial das melhores cidades para trabalhar e viajar
Portugal está entre os principais destinos mundiais para quem procura conciliar trabalho remoto e férias. O Porto e Lisboa ocupam, respetivamente, o quarto e o nono lugar do Work from Anywhere Index 2026, elaborado pela International Workplace Group (IWG).
O ranking, divulgado por ocasião do Dia Internacional do Coworking, assinalado a 9 de agosto, avalia as cidades tendo em conta fatores como clima, velocidade da internet, alojamento, transportes, gastronomia, cultura e disponibilidade de espaços de trabalho flexíveis.
Com duas cidades no top 10, Portugal é o único país a alcançar esta presença no ranking. Banguecoque lidera a classificação, seguida de Tóquio e Barcelona. Vancouver, Budapeste, Nápoles, Medellín e Seul completam a lista.
A presença de Porto e Lisboa evidencia a crescente atratividade de Portugal para profissionais que procuram destinos capazes de combinar qualidade de vida, conectividade digital e condições adequadas para trabalhar à distância.
Trabalho remoto prolonga férias
A tendência das chamadas workcations — viagens que combinam trabalho remoto e lazer — está a ganhar expressão à medida que o trabalho híbrido se consolida.
De acordo com o estudo da IWG, 48% dos profissionais planeiam prolongar férias ou escapadinhas através do trabalho remoto em 2026, enquanto 46% afirmam estar mais disponíveis para adotar este modelo do que no ano anterior.
A prática não é, contudo, uma novidade para uma parte significativa dos trabalhadores: 43% afirmam já ter trabalhado remotamente a partir de um destino de férias sem recorrer a dias de férias.
Entre as principais razões para prolongar uma viagem através do trabalho remoto estão o bem-estar e a prevenção do burnout, referidos por 54% dos inquiridos, seguidos pela possibilidade de passar mais tempo com familiares e amigos (53%) e de aproveitar melhor os dias de férias disponíveis (52%).
O contexto económico também pesa nesta decisão: 51% afirmam que o aumento do custo de vida tornou mais provável a utilização de políticas de trabalho híbrido e flexível para prolongar as viagens.
Conectividade é decisiva
Apesar da importância do lazer e da qualidade de vida, as condições para trabalhar continuam a ser determinantes na escolha do destino.
Uma ligação Wi-Fi fiável é o principal fator apontado pelos profissionais, com 38% a considerá-la essencial. A qualidade do alojamento, a gastronomia e os transportes surgem, em conjunto, com 12%.
O acesso a espaços de trabalho flexíveis também assume importância: 38% dos inquiridos consideram esta oferta um fator fundamental na escolha do local onde trabalhar remotamente durante uma viagem.
Portugal beneficia, neste contexto, de uma infraestrutura digital abrangente e de uma oferta crescente de espaços de coworking e escritórios flexíveis.
A IWG opera atualmente 30 espaços de trabalho flexíveis em Portugal, dos quais 20 estão localizados em Lisboa e no Porto. A rede inclui ainda espaços noutras cidades portuguesas e destinos turísticos.
Flexibilidade influencia decisões de carreira
O estudo mostra que o trabalho remoto deixou de ser apenas uma questão de localização e passou também a influenciar as decisões dos profissionais relativamente ao emprego.
Mais de metade dos inquiridos, 51%, afirma que a sua entidade empregadora já disponibiliza uma política de Work from Anywhere.
O impacto destas políticas é maioritariamente positivo: 90% dizem que a possibilidade de escolher o local de trabalho melhorou o equilíbrio entre vida profissional e pessoal, enquanto 80% afirmam que contribuiu para aumentar a produtividade.
A flexibilidade tornou-se igualmente um argumento de recrutamento e retenção. 80% dos profissionais consideram que uma política de Work from Anywhere tornaria uma nova função mais atrativa e 62% estariam dispostos a mudar de emprego para beneficiar de uma política de trabalho flexível mais favorável.
Portugal ganha vantagem competitiva
A presença simultânea de Lisboa e Porto entre as dez melhores cidades do mundo para workcations reforça a posição de Portugal num segmento que cruza turismo, imobiliário, tecnologia e novas formas de trabalho.
A capacidade de oferecer conectividade, espaços profissionais de trabalho, alojamento e uma oferta cultural e gastronómica diversificada pode contribuir para prolongar a permanência dos visitantes e alterar os padrões tradicionais de procura turística.
Para Mark Dixon, Executive Chairman e fundador da IWG, a combinação entre trabalho híbrido e tecnologia cloud está a dar aos profissionais maior liberdade para escolher onde trabalham, incluindo durante períodos de viagem.
O fenómeno poderá, assim, ter consequências para além do turismo, nomeadamente na procura por alojamento de média duração, espaços de trabalho flexíveis e serviços direcionados para profissionais móveis.
À medida que as empresas consolidam políticas de trabalho remoto e híbrido, destinos como Lisboa e Porto procuram posicionar-se não apenas como locais para visitar, mas também como cidades onde é possível viver, trabalhar e viajar em simultâneo.
















