Logo Diário Imobiliário
CONSTRUÍMOS
NOTÍCIA
HaierJPS Group 2024Porta da Frente
Actualidade
Retalho

Retalho

Porto compete cada vez mais pelos retalhistas internacionais

27 de novembro de 2025

A renda prime na Invicta é de 1.020 euros/m2 por ano, o valor mais competitivo entre os 16 destinos de compras analisados pela JLL na Europa. O estudo da consultora evidencia o crescente interesse das marcas internacionais pelo Porto e reforça igualmente a posição de Lisboa, que continua a oferecer uma das rendas mais competitivas da Europa.

Na apresentação do estudo pan-europeu “European Retail City Profiles”, da JLL, que analisa 16 cidades estratégicas na rota de compras da Europa, com o objectivo de apoiar os retalhistas na definição dos seus planos de expansão, Antuérpia, Barcelona, Berlim, Bruxelas, Dublin, Düsseldorf, Frankfurt, Hamburgo, Lisboa, Londres, Madrid, Milão, Munique, Paris, Porto e Varsóvia foram incluídas no relatório, que traça o perfil de cada cidade em termos de localizações de retalho, indicadores económicos, performance operacional e dinâmica de procura.

O Porto destaca-se como o destino mais competitivo para a instalação de lojas na Europa, com uma renda prime de €1.020/m2 anuais, a mais baixa entre todas as cidades analisadas. Este valor, que é apurado para a Rua de Santa Catarina, fica entre 38% a 75% abaixo das rendas praticadas na maioria dos destinos europeus, que variam entre os €1.650/m2 ao ano de Bruxelas e os €4.090/m2 anuais de Munique. Acima deste leque de valores surgem os três destinos de topo no comércio europeu, nomeadamente Milão, Paris e Londres, onde as rendas prime atingem níveis praticamente incomparáveis, na ordem dos €20.000/m2 a €21.000/m2 ano.

A competitividade da cidade no contexto europeu em termos de rendas, aliada ao forte dinamismo turístico – que bateu recordes com 7,4 milhões de visitantes em 2024 -, ao aumento de residentes estrangeiros e a uma base de consumo em expansão (vendas a retalho estimadas em €11.000 milhões em 2025 e a crescer 3,8% ao ano até 2029) tem vindo a atrair um número crescente de retalhistas internacionais.

“O Porto está a afirmar-se como um destino-chave de retalho, impulsionado por um turismo robusto, uma população metropolitana em crescimento e uma cidade que tem beneficiado de uma forte regeneração urbana. Os retalhistas estão a capitalizar este ambiente e, com rendas bastante competitivas face às congéneres europeias, o Porto está a atrair cada vez mais lojistas estrangeiros, a par dos diversos retalhistas nacionais já presentes na cidade”, explica Andreia Almeida, Head of Research da JLL.

“Há uma crescente procura pelas localizações prime como a Rua de Santa Catarina ou a zona da Ribeira e Avenida dos Aliados, as quais têm registado um forte crescimento da procura e ocupação de espaços comerciais. Para os próximos anos, perspetiva-se a entrada de mais marcas internacionais, incluindo operadores já presentes em Lisboa que procuram alargar operações para o Norte, bem como o reforço de marcas nacionais. Este movimento deverá intensificar a competição por espaços de qualidade, diminuir a disponibilidade e gerar uma tendência de subida das rendas a longo prazo”, acrescenta a resaponsável.

O estudo destaca ainda várias aberturas recentes, sobretudo nos segmentos de moda e lifestyle, como as lojas da Carolina Herrera (Rua das Carmelitas) e Mango Teen (Santa Catarina), e no sector de luxo, como Minotti (Avenida da Boavista) e o showroom da Bentley (Ramalde). A oferta de lazer e restauração também se tem ampliado, com a chegada da Fujifilm House of Photography, uma nova Starbucks outlet e uma Padaria Portuguesa na zona dos Aliados. O segmento discount/low-cost continua igualmente ativo, com aberturas da Normal (Rua de Santa Catarina) e da Action, no Focus Park (Vila Nova de Gaia).

Em Lisboa, a renda prime para o comércio, apurada para o eixo da Rua Augusta e Rua Garrett, atinge os 1.740 euros/m2anuais, valor 71% superior ao do Porto, mas mantendo-se particularmente competitivo no contexto europeu. Além do Porto, entre todas as cidades avaliadas, Lisboa só apresenta rendas ligeiramente superiores às de Bruxelas e Antuérpia (cerca de +5%), mantendo-se claramente abaixo das demais – com valores 28% a 57% inferiores face à maioria dos centros europeus (com exceção de Milão, Paris e Londres).

“Apesar de ter rendas superiores ao Porto, Lisboa continua a praticar valores muito competitivos quando comparada com outras capitais europeias, com a vantagem de ser um destino cosmopolita, com grande notoriedade internacional, uma base de consumo diversificada e um turismo em expansão”, acrescenta Andreia Almeida

A capital recebeu 8,5 milhões de visitantes em 2024, dos quais 6,5 milhões internacionais 

As vendas de retalho deverão alcançar 19.400 milhões de euros este ano – 29% do total nacional – e prevê-se um crescimento médio anual de 3,7% até 2029. O interesse das marcas internacionais permanece elevado, tanto para novas entradas como para expansões, o que deverá pressionar a disponibilidade de espaços e suportar uma tendência de subida das rendas.

O dinamismo comercial persiste, com novas aberturas sobretudo na moda e acessórios. Lisboa tem sido palco de grandes flagships – como a nova loja Zara do Rossio, uma das maiores a nível global – e continua a atrair marcas nacionais e internacionais como a Brownie, Parfois, Pandora e New Era, particularmente na Baixa e no Chiado. As marcas de luxo mantêm a Avenida da Liberdade como morada preferencial, enquanto os operadores discount/low-costcontinuam a crescer fora das zonas prime, incluindo em centros comerciais.

O relatório da JLL demonstra que os retalhistas globais mantêm um elevado nível de atividade na Europa, apesar das pressões inflacionistas e das condições macroeconómicas dos últimos anos. Nos primeiros nove meses de 2025, foram inauguradas 219 lojas nos 16 mercados estudados – apenas 11% abaixo do valor excecional registado em 2024. As novas entradas e primeiras lojas físicas representaram 26% das aberturas, demonstrando o foco contínuo dos retalhistas em mercados inexplorados, para obterem um crescimento lucrativo e diversificação das fontes de receita.

“Porto e Lisboa estão muito bem posicionados para captar novos retalhistas internacionais e beneficiar dos planos de expansão das marcas já presentes no país. Há um apetite robusto dos retalhistas para reforçar a sua pegada física na Europa, olhando para cidades menos saturadas, mas com bons níveis de consumo privado, turismo sólido e custos de ocupação mais baixos. As cidades portuguesas reúnem todos estes fatores, com rendas 20% a 75% abaixo da maioria das cidades europeias, mas com perspectivas de crescimento de vendas semelhantes”, termina Andreia Almeida.

PUB
1.ª Beach Party DI
PUB
PUB
MAP2026AYH ESAI
Habitação
Oferta de arrendamento cresce 11%, mas escassez mantém pressão no mercado - diz a RE/MAX Portugal
15 de abril de 2026