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Pacote fiscal da habitação trava decisões e adia novos projectos, conclui conferência

Joana Resende, CEO do Grupo CENTURY21 Arquitectos; Ricardo Sousa, CEO da CENTURY21 Ibéria; Miguel Primaz, Advogado Fiscalista e Ricardo Guimarães, Director da Confidencial Imobiliário.

Pacote fiscal da habitação trava decisões e adia novos projectos, conclui conferência

8 de abril de 2026

O pacote fiscal da habitação apresentado pelo Governo, ainda por regulamentar, está a ser bem recebido pelo mercado, mas está a provocar o adiamento de decisões de investimento e promoção imobiliária, segundo conclusões da 1.ª edição das conferências “Entre Linhas”, promovidas pelo Grupo CENTURY21 Arquitectos, no Porto.

De acordo com os participantes, a expectativa de novas condições fiscais mais favoráveis — nomeadamente a redução do IVA — está a levar promotores e investidores a aguardar antes de avançar com projectos. O resultado é um aumento do número de fogos licenciados, mas uma menor execução de obra nova.


Mercado cresce, mas vendas abrandam

Dados apresentados por Ricardo Guimarães, da Confidencial Imobiliário, indicam que o mercado valorizou cerca de 22% no início de 2026, apesar de uma quebra de 7% nas vendas, num contexto de preços elevados e juros mais altos.

Segundo o responsável, existem vários projectos prontos para avançar, mas a concretização depende da entrada em vigor das medidas fiscais, em particular da redução do IVA na construção.


Ricardo Guimarães (Confidencial Imobiliário)


Redução do IVA pode não baixar preços

Os especialistas alertam, contudo, para o risco de a descida do IVA ser absorvida pelo aumento dos custos de construção e do preço do solo, num sector já a operar perto do limite da sua capacidade. Nesse cenário, o impacto da medida nos preços finais poderá ser reduzido.


Medidas fiscais em destaque

Entre as principais propostas do pacote fiscal, destacam-se:

    • redução do IRS sobre rendas para 10% em contratos de arrendamento moderado; 

    • isenção de mais-valias na venda de segunda habitação, mediante reinvestimento em arrendamento; 

    • redução do IVA para 6% na construção para habitação a preços moderados; 

    • devolução parcial do IVA na autoconstrução. 


Apelo à estabilidade fiscal

Para Miguel Primaz, advogado fiscalista, o principal desafio não é apenas o conteúdo das medidas, mas a falta de estabilidade. O especialista defende um acordo político de médio e longo prazo para garantir previsibilidade e reforçar a confiança dos agentes económicos.


Ricardo Sousa, CEO da CENTURY21 Ibéria


Sinais positivos no sector

Já Ricardo Sousa, CEO da CENTURY21 Ibéria, destacou factores favoráveis ao mercado, como o nível elevado de emprego, a disponibilidade de crédito e taxas de juro ainda moderadas, apontando para um cenário de crescimento, ainda que com prudência.

As conclusões do encontro reforçam a ideia de que o sector imobiliário continua dinâmico, mas condicionado pela incerteza regulatória, num momento em que a nova construção é vista como central para responder à crise da habitação em Portugal.