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Rua de Santa Catarina, Porto

Rua de Santa Catarina, Porto

Onde passam mais pessoas... e onde se gasta mais dinheiro

6 de julho de 2026

A Rua de Santa Catarina, no Porto, é actualmente a artéria comercial com maior tráfego pedonal em Portugal, enquanto Lisboa continua a concentrar o maior valor gasto pelos consumidores e as rendas comerciais mais elevadas. A conclusão é do estudo HighStreet Footfall, divulgado pela CBRE, que analisou a dinâmica do comércio de rua nas principais zonas comerciais das duas cidades.

Segundo o levantamento, a Rua de Santa Catarina regista uma média de 3.269 passantes por hora, liderando o ranking nacional. Seguem-se a Rua Garrett, em Lisboa, com 2.892 pessoas por hora, e a Rua Augusta, também na capital, com 2.408. Mais abaixo surgem a Avenida da Liberdade, com 1.267 passantes por hora, e a zona dos Clérigos, no Porto, com 850 pessoas por hora, condicionada pelas obras em curso na Avenida dos Aliados.

Diferentes perfis comerciais

Apesar do elevado movimento registado nas ruas analisadas, a consultora conclui que o volume de pessoas não determina, por si só, o valor comercial de cada localização.

A Rua Augusta mantém um fluxo constante ao longo do dia, suportado por uma oferta equilibrada entre moda e restauração. Já a Rua Garrett distingue-se por combinar marcas de grande consumo com segmentos premium e por funcionar como porta de entrada para uma das zonas de lazer mais procuradas de Lisboa, atingindo o pico de afluência entre as 19h00 e as 20h00. A Avenida da Liberdade reforça, por sua vez, o seu posicionamento como principal destino de luxo do país, impulsionado pela forte presença de marcas de alta joalharia e de luxo, registando maior movimento entre as 18h00 e as 19h00.


Lisboa - Foto DI

Mais pessoas nem sempre significam rendas mais elevadas

A análise da CBRE demonstra igualmente que as ruas com maior circulação pedonal nem sempre apresentam as rendas comerciais mais elevadas.

Enquanto a Rua Augusta e a Rua Garrett registam rendas prime na ordem dos 150 euros por metro quadrado por mês e a Avenida da Liberdade ronda os 125 euros/m²/mês, a Rua de Santa Catarina apresenta valores próximos dos 90 euros/m²/mês e a zona dos Clérigos cerca de 67,5 euros/m²/mês.

De acordo com a consultora, esta diferença resulta de vários fatores, entre os quais a concentração do tráfego pedonal, o perfil comercial de cada rua, o poder de compra da população local e as características do turismo que visita Lisboa e o Porto. A capital beneficia de um peso significativamente superior do turismo norte-americano, considerado um segmento com maior capacidade de consumo.

Retalho mantém desempenho positivo

A CBRE sublinha que o dinamismo não se limita ao comércio de rua. Também os centros comerciais registam uma evolução positiva nos últimos quatro anos, refletida no aumento do número de visitantes, das vendas e na redução da disponibilidade de espaços comerciais.

Entre 2019 e 2025, a receita por metro quadrado aumentou 83% no segmento alimentar (groceries), 60% no comércio especializado (speciality retail) e 35% na moda. Segundo a consultora, este desempenho resulta do crescimento da população residente, impulsionado pelos movimentos migratórios, e da melhoria operacional dos ativos comerciais.

Retail parks deverão liderar nova vaga de investimento

A CBRE antecipa uma alteração no perfil do investimento em retalho durante os próximos anos, com os retail parks a assumirem um papel central no desenvolvimento do setor.

Carlos Récio, Head of Retail da CBRE Portugal, considera que este formato ganhou protagonismo por exigir áreas de influência mais reduzidas, apresentar menores custos de construção e operação e beneficiar de processos de licenciamento mais rápidos. Segundo o responsável, até ao final de 2028 deverão entrar em funcionamento cerca de 180 mil metros quadrados de nova área comercial neste segmento, impulsionados pela entrada de novos operadores ligados à decoração, desporto, moda, mobiliário e eletrónica de consumo.

A consultora prevê ainda que o investimento imobiliário no setor do retalho possa atingir os 850 milhões de euros em Portugal durante 2026, suportado por diversas operações de compra e venda de ativos previstas para o segundo semestre do ano.