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Mercado industrial e logístico soma 229.973 m² de ocupação no primeiro semestre, aponta Savills

Plataforma Castanheira do Ribatejo, da MONTEPINO

Mercado industrial e logístico soma 229.973 m² de ocupação no primeiro semestre, aponta Savills

11 de setembro de 2026

Portugal registou 229.973 m² de ocupação no segmento industrial e logístico (I&L) no primeiro semestre de 2026, mais 2% do que no período homólogo de 2025, num contexto de mínimos históricos na taxa de disponibilidade nacional. Os dados constam do mais recente Spotlight Industrial & Logistics Market, da Savills.

Segundo trimestre concentra maior parte da atividade

O segundo trimestre representou 160.866 m², mais do dobro dos 69.107 m² registados nos primeiros três meses do ano. A Grande Lisboa respondeu por 76% do total nacional, enquanto o Grande Porto totalizou 55.190 m². A logística foi o principal motor da procura, concentrando 73% do total transacionado.

Segundo a Savills, a dinâmica do mercado continua condicionada pela reduzida disponibilidade de ativos de qualidade para arrendamento, num contexto em que a procura permanece superior à oferta existente.

Alexandra Gomes, Head of Research da Savills Portugal, afirma que "a procura continua claramente acima da oferta disponível, tornando a disponibilidade de produto de qualidade o principal fator condicionante da ocupação". Segundo a responsável, "com mais de metade do pipeline da Grande Lisboa já comprometido antes da conclusão, antecipamos uma pressão crescente sobre as rendas prime e um reforço das soluções build-to-suit e de pré-arrendamento, à medida que as opções para os ocupantes se tornam cada vez mais escassas".



Logicor Ermida Park



Grande Lisboa regista melhor primeiro semestre desde 2024

A Grande Lisboa registou 174.783 m² de área transacionada no primeiro semestre, o melhor desempenho desde 2024 em valor absoluto, com um mínimo histórico de espaço disponível. O segundo trimestre foi particularmente dinâmico, concentrando 74% do volume total do semestre.

A logística reforçou o seu peso na região, com um crescimento homólogo superior a 14%, passando a representar 75% de toda a área ocupada. Segundo a Savills, o mercado logístico da Grande Lisboa integra um stock de cerca de 3,5 milhões de m² e apresenta uma taxa de disponibilidade de apenas 1,8%.

As rendas prime na região variam entre os 4,50 €/m²/mês no eixo Palmela-Setúbal e os 7,25 €/m²/mês no Corredor Oeste. O eixo Castanheira-Azambuja, considerado a referência prime logística da região, concentra 33% do stock total, com uma renda de 5,50 €/m²/mês, sendo a zona mais pressionada da região, com disponibilidade nula e cerca de 36% da procura ativa identificada.

O pipeline em desenvolvimento na Grande Lisboa para 2026 totaliza cerca de 400.000 m², dos quais mais de um terço já se encontra pré-arrendado ou com ocupação contratada.

Grande Porto: descida de 2% não reflete menor procura

O Grande Porto registou um volume de ocupação de 55.190 m² no primeiro semestre, apenas 2% inferior ao período homólogo de 2025. Segundo a Savills, esta ligeira redução não traduz um abrandamento da procura, mas antes as limitações impostas pela escassez de oferta disponível — a taxa de disponibilidade situou-se nos 0,5%, num parque logístico e industrial superior a 1,3 milhões de m².



Pedro Figueiras, Director, Head of Lisbon da Savills Portugal.



A atividade do semestre concentrou-se num número reduzido de transações de grande dimensão. Valongo destacou-se como o principal foco de procura, com 36.885 m² contratados — equivalentes a 67% do total regional —, resultado de duas operações de 12.500 m² cada no Panattoni Park Valongo. A renda prime na região fixa-se nos 5,75 €/m²/mês. O pipeline previsto até 2027 totaliza cerca de 69.000 m², dos quais 42% já se encontram pré-arrendados.

Pedro Figueiras, Director, Head of Lisbon da Savills Portugal, conclui que "Portugal reúne hoje condições únicas para se afirmar como um dos principais mercados logísticos do sul da Europa". Segundo o responsável, "a combinação de taxas de disponibilidade historicamente baixas, a internacionalização crescente da economia, o reforço das exportações e uma posição geoestratégica privilegiada nas cadeias globais de abastecimento continua a atrair operadores nacionais e internacionais". Figueiras acrescenta que o desenvolvimento de nova oferta logística "representa não apenas uma oportunidade imobiliária, mas uma necessidade para acompanhar a expansão da procura e aumentar a competitividade do país enquanto plataforma de distribuição e investimento".