
Investimento imobiliário comercial em Portugal sobe 39% no primeiro trimestre – diz Savills
O mercado de investimento em imobiliário comercial em Portugal arrancou 2026 com um volume de 911 milhões de euros no primeiro trimestre, um crescimento de 39% face ao mesmo período de 2025 e 130% acima da média dos primeiros trimestres dos últimos três anos, segundo dados da Savills Portugal.
Hotelaria e retalho dominaram a actividade, concentrando em conjunto mais de 70% do investimento. A hotelaria liderou com 39% do total, num salto de 130% em termos homólogos, sustentado pela robustez do turismo. O retalho ficou em segundo lugar com 37%, beneficiando de níveis de afluência estáveis e escassez de activos prime disponíveis — sendo que 53% deste segmento correspondeu à venda de participações nos centros comerciais Gaia Shopping e Arrábida Shopping, adquiridas numa parceria entre a Sonae Sierra e o Crédito Agrícola.
Os escritórios representaram apenas 5% do investimento, uma queda homóloga de 53%, explicada sobretudo pelo desfasamento de expectativas de preço entre compradores e vendedores e pela concorrência crescente de outros mercados europeus com yields competitivas. A logística enfrenta constrangimento semelhante: apesar da procura elevada, os volumes permanecem limitados pela escassez de produto prime a chegar ao mercado.
O contexto financeiro
Os data centres surgem pela primeira vez com uma quota de 5% do investimento, sinalizando a entrada desta classe de activo na estratégia dos investidores em Portugal, acompanhando a expansão das infraestruturas digitais na Europa.
Do lado do capital, investidores institucionais e fundos de private equity concentraram 64% do montante aplicado — 34% e 30%, respectivamente. O capital nacional consolidou uma quota de 47%, enquanto investidores dos Estados Unidos, Espanha e França asseguraram 37% da actividade transfronteiriça. O ticket médio das operações fixou-se em cerca de 32,5 milhões de euros, aproximadamente 2% acima do nível do ano anterior.
O contexto financeiro favorece a continuidade da dinâmica: com a taxa directora do BCE nos 2,15% e as prime yields entre 5,00% e 7,00%, o spread face às obrigações do Tesouro a 10 anos voltou a alargar — uma dinâmica que historicamente antecede a recuperação dos volumes transacionais.















