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Habitação
Habitação: Banco BPI prevê abrandamento devido a distância entre preços e salários

 

Habitação: Banco BPI prevê abrandamento devido a distância entre preços e salários

25 de maio de 2026

O Banco BPI prevê um abrandamento no sector imobiliário residencial devido ao distanciamento crescente entre preços e salários, à subida dos juros e à "diminuição das expectativas dos mediadores e promotores", apesar da aceleração na oferta de habitação nova.

Mesmo assim, o Banco BPI faz uma revisão das previsões em alta de 11,7% para o Índice de Preços da Habitação (IPH) em 2026, explicada pela "forte valorização em 2025" dos preços de venda das casas em Portugal que, de acordo com os dados do INE, registou uma subida de 17,6% durante o último ano.

"Após a forte valorização em 2025,foram ajustadas em alta as previsões do BPI para o IPH em 2026 (11,7%) mas prevê-se um abrandamento devido, entre outros factores, ao 'decoupling'[afastamento] crescente entre preços e salários, ao abrandamento já referido no início do ano, à expectativa de alguma aceleração na oferta de habitação nova não só na sequência de um ritmo de construção ligeiramente acima do verificado nos últimos anos mas também na sequência do PRR, à possibilidade descontada pelos investidores das taxas entrarem em terreno restritivo e à diminuição das expectativas dos mediadores e promotores", lê-se na publicação mensal sobre o sector imobiliário residencial hoje divulgada pelo Banco BPI.

A análise, elaborada pelo departamento de Estudos Económicos e Financeiros do Banco BPI, refere que "a valorização excepcional das casas em Portugal", nos últimos anos, tem sido "mais forte que os aumentos dos rendimentos das famílias", o que tem feito subir o rácio de acessibilidade.

São, por isso, "necessários mais anos para os particulares adquirirem uma habitação 'standard'", indica o estudo.


Pessimismo entre os promotores...

Apesar de a avaliação bancária da habitação continuar a aumentar, atingindo 2.151 euros por metro quadrado em Março, "existem sinais de abrandamento", com a avaliação mediana a perder algum fôlego, ao subir 16,5% em termos homólogos quando a média mensal em 2025 foi de 17,4%.

A publicação do Banco BPI refere também que as expectativas de vendas e preços a três meses da Confidencial Imobiliário diminuíram no início de 2026, "e o pessimismo é mais forte entre promotores do que entre mediadores", atingindo o saldo mais baixo desde junho de 2025.


E aumento das taxas de juro

A nível macroeconómico, o estudo sublinha a estagnação recente da economia portuguesa, com uma evolução nula em cadeia no primeiro trimestre do ano, causada pelas tempestades e pela guerra no Médio Oriente, assim como a pressão de subida nas taxas Euribor, com a taxa a seis meses a atingir 2,45%, o valor mais elevado desde Fevereiro do ano passado.

Além disso, o Banco BPI aponta para um eventual aumento das taxas de juro do BCE para 2,25% em Junho e para 2,5% em Setembro deste ano.

Contudo, a análise ressalva que a concessão de crédito continua dinâmica, "beneficiando do impulso muito positivo" no mês de Março", com uma subida homóloga de 9,7%.

"As novas operações de crédito no primeiro trimestre de 2026 reflectiram o volume mais elevado desde o início da série histórica, atingindo 5,7 mil milhões de euros (+11,3% relativamente ao período homólogo anterior e +20,1% face ao máximo pré-crise financeira em 2006)", refere a nota.

As perspectivas para a oferta de habitação são também "positivas e a construção segue um bom ritmo". O número de edifícios habitacionais aumentou 5,5% para 26.714 em 2025, com o Banco BPI a evidenciar que se trata do valor "mais elevado desde 2010".

Lusa/DI