
Escola - Pixabay
Grupo português MCA vai construir duas escolas sustentáveis no Moxico Leste, em Angola
O grupo português MCA vai construir duas escolas sustentáveis nos municípios do Luau e do Cazombo, na província do Moxico Leste, em Angola, num projeto que pretende reforçar o acesso à educação e promover a capacitação profissional das comunidades locais. A iniciativa prevê a criação de 19 salas de aula, com capacidade para acolher mais de 1.520 alunos por ano, distribuídos por dois turnos diários, segundo os dados divulgados pela empresa.
Para concretizar o projeto, a MCA, a Universidade Agostinho Neto (UAN), o Ministério da Educação e o Instituto Nacional de Emprego e Formação Profissional (INEFOP) assinaram dois protocolos de cooperação. A iniciativa integra o programa de responsabilidade social da empresa e combina a construção de infraestruturas de ensino fundamental com formação profissional certificada, utilização de matérias-primas locais e participação das comunidades.
"Estas escolas representam muito mais do que novas infraestruturas: são um investimento no futuro das comunidades", afirma Elisabete Alves, presidente do Conselho de Administração (PCA) da MCA Angola. A responsável destaca a importância da colaboração entre o meio académico, o setor empresarial, as entidades públicas e as populações locais para criar oportunidades de aprendizagem, emprego e desenvolvimento sustentável.
Energia solar ao serviço da educação
As escolas do Luau e do Cazombo serão as primeiras infraestruturas de ensino a surgir nos territórios onde a MCA está a desenvolver projetos de energia e eletrificação em Angola. O objetivo passa por estender os benefícios destes investimentos às áreas da educação e da formação profissional, contribuindo para um impacto duradouro nas comunidades.
Um dos elementos distintivos do projeto é a utilização de energia produzida pelos parques fotovoltaicos desenvolvidos pela empresa na região. Esta solução pretende assegurar o fornecimento de eletricidade às escolas, promover um modelo de funcionamento mais sustentável e permitir uma utilização mais prolongada dos espaços escolares.
A disponibilidade de energia deverá também facilitar as atividades de formação profissional, reforçando a ligação entre a eletrificação, a educação e o desenvolvimento de competências locais.
Construção sustentável com materiais locais
A sustentabilidade estará igualmente presente nos métodos construtivos e na escolha dos materiais. As escolas serão construídas maioritariamente com recurso à argila, uma matéria-prima de origem local, e à reutilização da madeira das paletes utilizadas no transporte dos painéis solares dos projetos fotovoltaicos da MCA.
A madeira será também aproveitada para a produção do mobiliário escolar, no âmbito do projeto «Re-cycle», que prevê a transformação deste material em equipamentos destinados às novas escolas.
A produção do mobiliário decorrerá nas carpintarias da MCA, num modelo que integra a capacitação de jovens das comunidades locais. Os participantes terão acesso a formação profissional e a certificações emitidas pelo INEFOP, associando a construção das infraestruturas à criação de competências com potencial de aplicação no mercado de trabalho.
Universidade Agostinho Neto assegura projetos de arquitetura
A conceção dos projetos de arquitetura e do mobiliário escolar ficará a cargo do Departamento de Arquitetura da Faculdade de Engenharia da Universidade Agostinho Neto, que será igualmente responsável pelo acompanhamento da execução das obras.
Ao Ministério da Educação caberá assegurar a disponibilização dos terrenos, as licenças e as aprovações necessárias, bem como garantir o funcionamento e a manutenção das escolas após a conclusão dos trabalhos. Esta responsabilidade inclui a afetação de professores, auxiliares e dos restantes profissionais necessários à atividade escolar.
A distribuição das responsabilidades pretende assegurar a articulação entre a construção das infraestruturas, a sua entrada em funcionamento e a continuidade dos serviços educativos.
Formação profissional e participação das comunidades
O projeto prevê ainda o envolvimento direto das populações locais na construção das escolas. Sempre que possível, pais, familiares dos futuros alunos e outros membros das comunidades poderão participar nos trabalhos em regime de formação, sob a responsabilidade e certificação do INEFOP.
A formação decorrerá em contexto real de trabalho, com acompanhamento técnico e orientação profissional, permitindo aos participantes desenvolver competências ajustadas às necessidades do mercado de trabalho local.
O INEFOP ficará responsável pela identificação e seleção dos candidatos, pela organização das ações de formação e pela certificação dos participantes. O instituto deverá ainda disponibilizar técnicos e formadores especializados para apoiar as atividades.
No final da formação, está prevista a emissão de diplomas e a inscrição dos formandos na base de dados do INEFOP como candidatos a oportunidades profissionais nas respetivas áreas.
Duas escolas para reforçar a oferta educativa
A escola do Luau contará com 12 salas de aula, com capacidade para mais de 900 alunos por ano. Já a escola do Cazombo terá sete salas, destinadas a mais de 500 alunos por ano. Em conjunto, as duas infraestruturas disponibilizarão 19 salas de aula, com uma capacidade anual superior a 1.520 alunos, considerando a organização em dois turnos diários.
Com este investimento, a MCA pretende associar a expansão da oferta educativa à sustentabilidade ambiental, à formação certificada e à criação de oportunidades profissionais para as populações do Moxico Leste.
A iniciativa procura, assim, prolongar o impacto dos projetos de energia renovável da empresa, criando condições para que os investimentos em eletrificação contribuam também para a melhoria do acesso à educação, o desenvolvimento de competências e a valorização dos recursos locais.
















