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Apenas 7% dos universitários em Portugal têm acesso a alojamento estudantil, aponta estudo

Foto CM Valença

Apenas 7% dos universitários em Portugal têm acesso a alojamento estudantil, aponta estudo

25 de agosto de 2026

O mercado português de alojamento para estudantes (PBSA – Purpose-Built Student Accommodation) está a entrar numa nova fase de maturidade, marcada por um crescimento mais moderado das rendas, uma estabilização do número total de estudantes e uma procura internacional que continua a crescer. Ainda assim, Portugal permanece longe de responder às necessidades de alojamento dos estudantes, segundo o novo estudo "Portugal PBSA Report 2026", da Cushman & Wakefield.


Oferta cresce, mas défice mantém-se

Nos últimos 12 meses, a oferta de alojamento estudantil em Lisboa e Porto cresceu cerca de 2.500 camas — mais 16% face ao ano anterior —, atingindo um total de quase 18.000 camas em 2026, um dos períodos de maior crescimento do sector. Apesar deste avanço, a oferta continua insuficiente face à procura: apenas 5% dos estudantes em Lisboa, 10% no Porto e cerca de 7% a nível nacional têm acesso a camas em alojamento para estudantes. Segundo o estudo, Portugal mantém uma das menores taxas de cobertura da Europa, e Lisboa continuará a enfrentar um dos maiores défices de alojamento estudantil entre as cidades europeias comparáveis.



Ana Gomes, Head of Research & Insight na Cushman & Wakefield, refere que "o mercado português de PBSA está a amadurecer", sublinhando que "o que começou há menos de uma década como uma classe de activos emergente tornou-se um dos sectores mais consolidados e acompanhados do mercado imobiliário português". Segundo a responsável, "o desafio deixou de ser provar a existência de procura e passou a ser criar capacidade suficiente para responder a essa procura".


Ana Gomes, Head of Research & Insight na Cushman & Wakefield


Procura mais selectiva no novo ano lectivo

No novo ano lectivo, o mercado entra numa fase marcada por uma procura mais selectiva, mas ainda sustentada pela crescente presença de estudantes internacionais e pela escassez de oferta disponível. Apesar da ligeira redução do número total de estudantes no ensino superior português registada no último ano, o já conhecido aumento substancial de candidatos para este ano mantém a pressão sobre o alojamento elevada, num contexto em que o aumento dos custos associados à frequência do ensino superior, incluindo o alojamento, continua a influenciar as decisões dos estudantes.


Rendas abrandam após quatro anos de subidas acentuadas

Depois de quatro anos consecutivos de aumentos expressivos, o crescimento das rendas começou finalmente a abrandar. Actualmente, os valores mensais de um estúdio individual em projectos PBSA privados situam-se entre 740€ e 1.500€ em Lisboa, e entre 735€ e 980€ no Porto.

Segundo Ana Gomes, "a próxima fase de desenvolvimento do sector deverá passar não apenas pela criação de mais camas, mas também pela capacidade de disponibilizar uma oferta diversificada e ajustada às diferentes necessidades dos estudantes".


Investimento limitado por escassez de activos

No segmento de investimento, a actividade em PBSA manteve-se limitada em volume nos últimos 12 meses, com apenas duas transacções relevantes concluídas. Segundo a consultora, esta reduzida actividade não reflecte falta de interesse por parte dos investidores institucionais, mas sim a escassa disponibilidade de activos de elevada qualidade para aquisição. As yields prime mantêm-se estáveis nos 5,25%, reforçando a atractividade e resiliência do sector num mercado cada vez mais maduro.


Sobre o estudo

O "Portugal PBSA Report 2026" apresenta uma análise aprofundada da evolução do mercado português de alojamento privado para estudantes, com foco em Lisboa e Porto. O estudo avalia a dinâmica da oferta, procura, rendas e investimento durante o ano lectivo de 2025/26, incidindo sobretudo em projectos PBSA de maior escala, com mais de 100 camas, localizados nas duas principais cidades universitárias portuguesas.