
Ruínas da Quinta da Arealva, no Ginjal - Foto de Sonse Wikimedia
Alerta: Câmara de Almada interdita Cais do Ginjal
A Câmara Municipal de Almada decidiu decretar a Situação de Alerta, nos termos da Lei de Bases da Protecção Civil, “tendo em vista a interdição de circulação de pessoas no Cais do Ginjal, desde as proximidades do terminal fluvial de Cacilhas até aos estabelecimentos de restauração existentes no Olho de Boi” - refere o comunicado do município almadense, presidido por Inês de Medeiros (PS). Que refere que “A Situação de Alerta vigora até ao dia 1 de Maio de 2025, podendo ser renovada”.
Apesar do acompanhamento da situação pelo Município, adianta o comunicado, “foram encetadas, sem sucesso, outras acções, designadamente a realização de notificações aos proprietários do edificado, a notificação para realização de obras junto da Administração do Porto de Lisboa (APL) e apresentada proposta concreta junto do Governo para encontrar uma solução que possibilite a reabilitação daquele espaço”. Daí que, prossegue o comunicado: “O acelerar da degradação do Cais do Ginjal nos últimos tempos, potenciado pelos vários eventos meteorológicos e fenómenos naturais que se têm vivenciado, determina o encerramento da circulação naquele espaço, tendo em vista o restabelecimento das condições que possibilitem a sua utilização em plena segurança”.
A Câmara Municipal de Almada adianta que “irá realizar obras de requalificação da escadaria junto ao Elevador da Boca do Vento e assinalar os meios alternativos de acesso aos espaços que não ficarão condicionados”. “(...) irá acompanhar a situação e encetar todos os esforços no sentido de ser reposta a normal circulação, com a maior brevidade possível.
Um caso patente de incúria e desleixo à portuguesa
A reabilitação do Cais do Ginjal é o mais acabado exemplo do que não se pode e deve fazer na reabilitação das nossas cidades. O arrastar dos pés das administrações centrais e autárquicas, o enredado das teias burocráticas e legais, o enredo assustador das heranças e desavenças familiares entre herdeiros, a falta de iniciativa dos promotores imobiliários envolvidos na reabilitação e a pouca ou nenhuma coacção sobre eles exercidas por quem de direito, explicam como se chegou a este ponto. E está-se a falar de uma zona icónica, em termos de localização e vistas amplas sobre a capital, Lisboa. “Este território que constituía um espaço histórico industrial de desenvolvimento de Almada, caracteriza-se hoje como um espaço vazio e abandonado, mas que possui um elevado potencial de desenvolvimento no contexto da Área Metropolitana de Lisboa”, dizia há tempos atrás um documento do município.
Há muito que os ancestrais armazéns de vinho haviam fechado. Dando lugar a uma arrastada e penosa degradação imobiliária, urbanística e social.
Em 2008 foi, finalmente, deliberada, pela CMA, a elaboração do Plano de Pormenor do Cais do Ginjal, que viria a ser aprovado 12 anos depois, em 2020. Previa a construção de um hotel com 160 quartos, cerca de 300 casas, comércio, serviços, equipamentos culturais e sociais e um silo automóvel para 500 carros numa área bruta de construção de 90.000 m2. 17 anos volvidos sobre a decisão de elaborar o ambicionado Plano e 5 anos passados sobre sua aprovação está tudo pior e mais degradado.