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Falta de espaços nos centros 'empurra' empresas para a periferias

 

Falta de espaços nos centros 'empurra' empresas para a periferias

27 de junho de 2018

A contínua queda do desemprego em toda a Europa está a provocar uma séria procura de escritórios e a obrigar os inquilinos a procurarem locais fora dos centros das cidades.

Segundo o último relatório do mercado de escritórios Europeu da Savills para o primeiro trimestre de 2018, as rendas do CBD (Central Business District)  têm registado em média um crescimento de 4% anual, situando-se 2% acima do pico dos valores de arrendamentos entre 2007-2010.

A falta de espaço acessível e de qualidade resulta na procura de opções fora do centro da cidade, onde os valores de arrendamento são em média 70% inferiores aos verificados no CBD. No entanto, a periferia tem registado um crescimento anual de 5,6%, estando actualmente 8% acima da média dos últimos cinco anos.

“Em toda a Europa, estamos a observar que o volume de novos espaços arrendados não é suficiente para satisfazer a procura atual e, por conseguinte os inquilinos terão de lidar mais dois anos com esta escassez de oferta. A oferta limitada e a subida das rendas têm resultado numa maior flexibilidade por parte dos inquilinos nas suas procuras, estando assim mais recetivos a mudar de localização de forma a se instalarem num edifício melhor e com uma renda mais acessível, ainda com uma localização secundária”, revela Alice Marwick, Diretora Adjunta do Departamento de Research Europeu da Savills.

O estudo mostra que poucos mercados têm uma taxa de disponibilidade acima de 10%, e pouco menos de 1/3 dos mercados registam uma disponibilidade abaixo dos 5%. A consultora acredita que a oferta permaneça limitada pelo menos até 2020. A taxa de disponibilidade média continuará a diminuir para valores inferiores a 6,2%, liderada por um pressão contínua nos mercados da Alemanha e Suécia. Mais inquilinos vão optar por escritórios com todos os serviços incluídos (coworking) em zonas prime, enquanto a maior disponibilidade encontrar-se-á em ativos mais antigos em localizações secundárias.

Robbie Stewart, director Adjunto, do Departamento de Tenant Representation da Savills, adianta que “a forte polarização permanece em toda a Europa, com mercados como Manchester, Viena e Paris a verificar aumentos anuais de 110%, 69% e 49%, respectivamente. Estes mercados também estão a registar uma ocupação trimestral superior à média dos últimos cinco anos. No outro extremo, Amesterdão, Bruxelas e Paris La Defense viram os níveis de ocupação anual descerem 74%, 19% e 23%, respetivamente”.

Em Portugal, Rodrigo Canas, Associate Consultant da Savills Aguirre Newman Portugal, garante que “actualmente o maior desafio que as empresas têm em Lisboa é encontrar espaços que tenham as características técnicas necessárias para a sua implantação. Os parques de escritórios ainda carecem de renovação e a média de construção de novos projectos nos últimos anos (2011-2018) está ainda aquém dos valores atingidos em anos anteriores (2004–2010). Neste momento zonas PRIME CBD e CBD contam com uma vacancy rate de 4% e 7% respetivamente, enquanto o Parque das Nações, que é talvez a zona com melhor qualidade de edifícios a nível técnico, tem uma vacancy inferior a 3%. Este registo demonstra a exigência que estas empresas têm relativamente a características técnicas e acessibilidades, abdicando assim de zonas consideradas de maior prestígio. Também o corredor oeste, zona descentralizada de Lisboa, foi a zona que maior absorção teve durante o ano 2017, atingindo um total de 43.553 m² (26% do take-up total), devido ao aumento significativo de rendas no centro da cidade".

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