
“72% dos financiadores europeus planeiam aumentar volume de crédito imobiliário” - diz estudo da CBRE
O crédito destinado a transacções no sector de living continua a liderar as intenções de financiamento imobiliário na Europa, posicionando-se à frente da logística e industrial, e dos escritórios, segundo o mais recente European Lender Intentions Survey da CBRE, que analisa as expectativas e preferências dos financiadores face aos diferentes sectores imobiliários no continente.
O estudo revela também um reforço do interesse pelo financiamento de escritórios, que se fixa como terceiro sector mais atractivo para os financiadores, subindo três posições face ao sexto lugar registado na edição de 2025. Quando analisado por tipo de credor, os bancos revelam uma preferência ainda maior por escritórios, que sobem para a segunda posição das suas preferências — apenas superados pelo living —, reflectindo uma confiança renovada nos fundamentos estruturais deste sector, sustentada sobretudo pela dinâmica forte manifestada pelos ocupantes.
"A saúde financeira do sector é corroborada pelo facto de quase três quartos dos financiadores (72%) planearem aumentar a sua actividade de originação de crédito..."
Também os data centers, embora permaneçam como primeira escolha apenas para uma franja restrita de investidores, registaram um fortalecimento do sentimento geral, com subida significativa nos rácios de LTV (empréstimo/valor) reportados para novos empréstimos face ao ano anterior. Paralelamente, subsectores como co-living, cuidados de saúde, habitação acessível, residências para seniores e self-storage têm vindo a atrair cada vez mais atenção dos financiadores: 86% dos inquiridos admitem já ter aprovado empréstimos para pelo menos um destes sectores alternativos, um aumento de 5% face ao ano anterior. Os bancos mostram maior foco em subsectores relacionados com living, enquanto os credores não bancários revelam maior disponibilidade nas restantes alternativas.
A saúde financeira do sector é ainda corroborada pelo facto de quase três quartos dos financiadores (72%) planearem aumentar a sua actividade de originação de crédito, um indicador de que a liquidez nos mercados de dívida imobiliária se mantém saudável, apesar das constantes alterações nas perspetivas macroeconómicas europeias.
Existem hoje muito mais alternativas ao financiamento bancário tradicional por parte dos fundos de dívida, que ganham terreno e consolidam a sua presença pela maior rapidez, flexibilidade e maior capacidade para assumir risco"
O estudo aponta também um aumento notável na disponibilidade para financiar estratégias de construção, que sobe de 60% em 2025 para 69% este ano. Segmentada por tipo de financiador, esta disponibilidade atinge 81% entre os credores não bancários, que tendem a gravitar para projectos com perfil de risco mais elevado, enquanto os bancos se mantêm quase exclusivamente focados em financiamentos de activos de rendimento ou de desenvolvimento com pouco ou nenhum risco especulativo.
No contexto português, esta dinâmica traduz-se numa maior maturidade operacional do mercado. "Em Portugal é notória a tendência de maior sofisticação e diversificação das operações de financiamento no sector imobiliário, apesar da indisputável prevalência do financiamento ao sector residencial. Existem hoje muito mais alternativas ao financiamento bancário tradicional por parte dos fundos de dívida, que ganham terreno e consolidam a sua presença pela maior rapidez, flexibilidade e maior capacidade para assumir risco", afirma Igor Borrego, Head of Capital Markets da CBRE Portugal. Segundo o responsável, tem aumentado consideravelmente o interesse em financiar outros sectores imobiliários além do residencial, do retalho e dos escritórios, com destaque para residências de estudantes, logística e hotelaria, enquanto o segmento de escritórios recupera interesse da banca, sobretudo em activos Core e Core+ bem localizados, e os sectores de logística e retalho evidenciam maior selectividade.
Borrego considera 2026 "um ano muito positivo em termos de financiamento", sublinhando a capacidade de estruturar soluções eficientes e flexíveis para os promotores, e destacando que a complementaridade entre banca comercial e fundos de dívida deverá beneficiar significativamente o desenvolvimento do sector, permitindo trazer mais projectos ao mercado num momento de procura elevada.
Já Tasos Vezyridis, Head of Research Europeu da CBRE, sublinha que o panorama geopolítico incerto continua presente, mas que a sua convergência com a melhoria generalizada do sentimento em todos os sectores este ano é um sinal inequívoco de que os fundamentos imobiliários estão em franca trajectória de recuperação.
O inquérito foi realizado entre 18 de Março e 28 de Zbril de 2026, com a participação de 134 inquiridos baseados na Europa, que partilharam as suas expectativas de originação, condições de concessão de crédito e sectores preferenciais para 2026


















