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Salas de cinema continuam a fechar em Portugal e deixam várias cidades sem exibição regular

 

Salas de cinema continuam a fechar em Portugal e deixam várias cidades sem exibição regular

26 de janeiro de 2026

Portugal continua a assistir a uma vaga de encerramentos de salas de cinema comerciais, que já atingiu vários distritos e deixou diversas cidades sem oferta regular de exibição cinematográfica. A tendência, que se agravou ao longo de 2025, prolonga-se em 2026, num contexto de quebra significativa de público e de receitas no sector.

A exibidora Cineplace, a segunda maior do país depois da NOS Lusomundo Cinemas, encerrou recentemente as sete salas que explorava no LeiriaShopping, pondo fim a uma operação iniciada em 2010. O fecho ocorreu poucas semanas depois de a mesma empresa ter encerrado cinemas nos centros comerciais da Guarda e das Caldas da Rainha, deixando ambas as cidades sem salas em funcionamento.

Além de Leiria, registaram-se encerramentos recentes em Portimão e no Algarve Shopping, no distrito de Faro, no Madeira Shopping, no Funchal, e no Rio Sul Shopping, no Seixal.

A NOS Lusomundo Cinemas também reduziu significativamente a sua presença, com o encerramento de salas no MaiaShopping, no Tavira Grand Plaza, no Fórum Viseu e, já em 2026, das 12 salas do complexo Alvaláxia, em Lisboa. No caso do Alvaláxia, o Sporting Clube de Portugal, proprietário do espaço, explicou que as antigas salas de cinema serão reconvertidas num novo projecto de experiência imersiva, integrado na requalificação do complexo.


Alvaláxia-Imagem cortesia Engexpor


Viana do Castelo também perde cinema

A crise estendeu-se entretanto a Viana do Castelo. O Ministério da Cultura autorizou a desafetação da actividade cinematográfica das quatro salas do Estação Viana Shopping e, esta semana, a Cineplace confirmou o encerramento do cinema que ali explorava.

Contactada pela agência Lusa, fonte do centro comercial confirmou o fecho das salas na semana passada, referindo desconhecer se a exibidora irá reabrir o espaço. O presidente da Câmara de Viana do Castelo, Luís Nobre (PS), revelou que a autarquia chegou a solicitar à empresa um levantamento dos custos de aluguer de uma ou duas salas, admitindo suportar essa despesa para manter a exibição de filmes na cidade.


Quebra de público e receitas

Os dados mais recentes confirmam a dimensão da crise. Segundo o Instituto do Cinema e do Audiovisual (ICA), em 2025 os cinemas portugueses registaram apenas 10,9 milhões de espectadores, menos 8,2% do que em 2024, num dos piores resultados desde 1996, excluindo o período da pandemia. As receitas recuaram para 70,5 milhões de euros, uma quebra de 3,9% em termos homólogos.

Governo cria grupo de trabalho

Perante este cenário, a ministra da Cultura, Margarida Balseiro Lopes, anunciou a criação de um grupo de trabalho que integra a Inspecção-Geral das Actividades Culturais (IGAC) e o ICA, com a missão de analisar os pedidos de desafetação e os encerramentos registados nos últimos três anos e apresentar propostas até ao final do primeiro trimestre de 2026.

O encerramento sucessivo de salas de cinema evidencia as dificuldades económicas enfrentadas pelas exibidoras e reforça a necessidade de repensar o modelo de exibição em Portugal, num contexto marcado pela mudança dos hábitos de consumo e pela crescente concorrência das plataformas digitais.

DI/Lusa