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Parlamento Europeu - Freepik

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Quase metade dos fundos de recuperação europeus continua por atribuir

22 de janeiro de 2026

À medida que o programa NextGenerationEU se aproxima do fim, apenas 58% dos fundos do Mecanismo de Recuperação e Resiliência foram desembolsados, deixando quase 270 mil milhões de euros por executar até ao final de 2026.

Lançado em 2021, o programa NextGenerationEU (NGEU) foi concebido para permitir à União Europeia superar a crise da Covid-19 e apoiar a transformação estrutural através de um plano de recuperação sem precedentes, no valor de 806,9 mil milhões de euros. O seu principal pilar, o Mecanismo de Recuperação e Resiliência (RRF), tem como objectivo financiar projectos em seis áreas-chave, incluindo a transição verde e digital.

De acordo com um comunicado da Coface, multinacional na área da gestão do risco de crédito comercial, no início de 2026, apenas 58% dos fundos tinham sido desembolsados, e uma proporção ainda menor tinha sido efectivamente gasta, colocando em risco o crescimento esperado a curto e longo prazo.

"Por detrás dos montantes sem precedentes do plano de recuperação europeu, é a execução que faz a diferença. A subutilização ou má afectação dos fundos — através de projectos de investimento e reforma — comprometeria o seu potencial para estimular o crescimento a curto e longo prazo, num contexto orçamental já limitado", afirma Laurine Pividal, economista da Coface para o Sul da Europa.

Múltiplos obstáculos à absorção dos fundos

De acordo com a Coface, os atrasos devem-se a estrangulamentos administrativos, capacidade limitada de execução e contextos políticos em mudança. A guerra na Ucrânia, a crise energética e a inflação obrigaram os países a rever os seus planos, atrasando os desembolsos. As reformas exigidas em troca dos fundos, por vezes impopulares, foram adiadas ou renegociadas, como aconteceu em Espanha e Itália.

Além disso, alguns países podem considerar os empréstimos da UE menos vantajosos do que os mercados financeiros, como é o caso de Espanha, que anunciou que irá abdicar de 67 mil milhões de euros dos 83 mil milhões em empréstimos do RRF graças à melhoria do seu perfil de crédito.

Um impacto económico misto

Embora países como a Grécia, Croácia, Itália e Portugal tenham aproveitado melhor os fundos, tendo em conta o progresso dos desembolsos até à data, o impacto global no PIB europeu será inferior ao esperado. Segundo estimativas, o crescimento anual poderia ter sido, em média, 0,4% superior entre 2020 e 2030 se os fundos tivessem sido totalmente utilizados. Mas a corrida contra o tempo está a levar os governos a privilegiar projetos fáceis de implementar, em detrimento de reformas estruturais de elevado valor acrescentado.

Após 2026: alívio parcial, mas direccionado

A lacuna deixada pelo fim do NGEU poderá ser parcialmente compensada por outros instrumentos, incluindo os empréstimos SAFE do programa Readiness 2030 (150 mil milhões de euros entre 2026 e 2030) para armamento.

No entanto, o seu âmbito sectorial (indústria de defesa) e regras menos rigorosas (35% do financiamento pode ser atribuído a produtos de um país terceiro fora da UE, EEE, EFTA e Ucrânia) limitam o efeito macroeconómico em comparação com os objectivos de diversificação e transformação estrutural do NGEU.

Previsões do PIB da EU:2025: 1,5% | 2026: 1,4%

- 806,9 mil milhões de euros: dimensão total do programa NextGenerationEU, incluindo 650 mil milhões de euros para o Mecanismo de Recuperação e Resiliência (RRF)

- 58%: percentagem dos fundos do RRF já desembolsados a nível europeu (≈ 270 mil milhões de euros ainda por executar até ao final de 2026)

- +0,4%/ano: ganho médio esperado do PIB da UE para 2020-2030, inicialmente previsto pela Comissão — valor que será inferior devido aos atrasos na execução