Logo Diário Imobiliário
CONSTRUÍMOS
NOTÍCIA
Brain PowerHaierJPS Group 2024Porta da Frente
Habitação
Lisboa - foto DI

Lisboa - foto DI

Preços das casas corrigem 3,4% no segundo trimestre, mas habitação continua pouco acessível

14 de julho de 2026

O mercado residencial português registou uma inversão no segundo trimestre de 2026, com os preços das casas e das rendas a recuarem pela primeira vez de forma simultânea em vários trimestres. Apesar da correção, o acesso à habitação continua longe de aliviar para as famílias, que continuam a destinar cerca de metade do rendimento líquido ao pagamento da prestação da casa. É esta a principal conclusão do mais recente Observatório do Imobiliário do Doutor Finanças.

O preço médio de venda fixou-se nos 3.544 euros por metro quadrado, menos 3,4% do que no trimestre anterior, enquanto o valor médio do arrendamento desceu 4,2%, para 15,46 euros por metro quadrado.

A descida, contudo, não foi transversal ao território nacional. Dos 20 territórios analisados (18 distritos e duas regiões autónomas), 11 registaram aumentos de preços, com destaque para Viseu (+8,6%), Santarém (+5,8%) e Portalegre (+3,4%). Em sentido contrário, Viana do Castelo (-5,3%), Setúbal (-5,2%) e Évora (-4,7%) lideraram as quedas, enquanto Lisboa e Porto também registaram correções de 3,3% e 2,4%, respectivamente.

Correção mais forte nas casas de maior valor

O estudo mostra ainda que a descida dos preços foi mais acentuada nos segmentos médio e alto do mercado. A mediana dos preços recuou 7,1%, passando de 419.900 para 390.000 euros, enquanto os imóveis de valor mais elevado registaram uma redução de 7,2%, de 695.000 para 645.000 euros.

Já os imóveis mais acessíveis registaram uma correção bastante mais moderada, com o primeiro quartil a descer 3,7%, de 270.000 para 259.900 euros.

Arrendamento também perde pressão

No mercado de arrendamento, a desaceleração foi ainda mais evidente, impulsionada sobretudo pelos principais centros urbanos. Lisboa e Porto registaram ambas uma redução média de 4% nas rendas, enquanto Évora (-12,8%), Beja (-6,5%) e Coimbra (-6,5%) apresentaram as maiores descidas.

Em contrapartida, alguns mercados de menor dimensão registaram aumentos expressivos, nomeadamente Guarda (+33%), Viseu (+11,6%) e Bragança (+7,2%), embora o Observatório alerte que estes mercados, por apresentarem menor volume de oferta, são mais suscetíveis a oscilações trimestrais.

Comprar casa continua a exigir metade do rendimento

Apesar do recuo dos preços, a acessibilidade mantém-se como um dos principais entraves ao mercado habitacional.

Segundo o Observatório, em Junho, a prestação média de um apartamento T2 absorvia 49% do rendimento líquido mensal de um casal com salário médio, enquanto a aquisição de uma moradia T3 representava um esforço financeiro de 53%.

Mais oferta, mas compradores mais selectivos

O relatório identifica também um aumento do número de imóveis disponíveis para venda. Ainda assim, o Doutor Finanças sublinha que esta evolução resulta, em parte, da integração de novas fontes de informação no Observatório, permitindo uma cobertura mais abrangente do mercado.

Os restantes indicadores apontam, contudo, para um mercado mais prudente. A taxa de absorção dos imóveis para venda baixou ligeiramente de 1,6% para 1,5%, enquanto o tempo médio necessário para vender uma moradia aumentou 54%, atingindo os 184 dias. Já os apartamentos seguiram a tendência oposta, reduzindo o tempo médio de venda para 106 dias, menos 15% do que no trimestre anterior.

O Observatório conclui que, após vários anos de forte valorização, o mercado habitacional entra agora numa fase de maior equilíbrio, marcada por preços em ligeira correcção, maior selectividade da procura e diferenças cada vez mais relevantes entre regiões e segmentos, reforçando a necessidade de decisões de compra e investimento mais informadas e ajustadas à realidade local.