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Porto ultrapassa Lisboa e torna-se o principal destino dos estrangeiros à procura de casa em Portugal

22 de junho de 2026

Lisboa deixou de ser a cidade mais procurada pelos estrangeiros que procuram casa em Portugal. Dados divulgados pelo Imovirtual revelam uma alteração significativa no mapa da procura internacional em 2026, com o Porto a assumir a liderança e Braga a consolidar-se como um dos novos pólos de atracção do mercado imobiliário nacional.

Depois de vários anos em que a capital portuguesa concentrou grande parte do interesse internacional, os dados mostram uma procura cada vez mais distribuída pelo território, reflectindo uma mudança nas prioridades dos compradores estrangeiros.

Em 2025, Lisboa liderava as pesquisas internacionais realizadas no portal, representando 4,6% do total, seguida do Porto, com 4,4%, e de Braga, com 3,4%. Um ano depois, o cenário altera-se substancialmente: o Porto sobe para 5,4% e ocupa a primeira posição, Braga alcança os 4,3% e Lisboa desce para 3,0%.

A tendência estende-se a outras regiões do país. Aveiro, Coimbra e Viana do Castelo reforçam igualmente a sua presença entre os destinos mais pesquisados, evidenciando um interesse crescente por cidades que combinam qualidade de vida, custos mais equilibrados e potencial de valorização imobiliária.

Para Sylvia Bozzo, Marketing Manager do Imovirtual, os dados confirmam uma transformação na perceção internacional sobre Portugal.

"Aconteceu uma mudança na forma como os estrangeiros olham para Portugal. Lisboa continua a ser uma referência internacional, mas já não concentra a mesma atenção que no passado. O crescimento do Porto, de Braga e de outras cidades mostra que os estrangeiros estão a explorar cada vez mais diferentes regiões do país, procurando um equilíbrio entre qualidade de vida, acessibilidade e potencial de valorização", afirma.

Europeus reforçam liderança na procura internacional

A mudança geográfica da procura acontece num contexto em que os mercados europeus ganham cada vez mais protagonismo.

A França reforça a liderança entre os países de origem dos utilizadores internacionais, representando 20,7% das pesquisas realizadas em 2026, acima dos 18,9% registados no ano anterior.

A Suíça surge como a principal novidade, subindo de 15,8% para 18,8% e ultrapassando o Brasil, que desce de 14,4% para 11,2%.

Apesar desta redução, o Brasil continua a destacar-se como o principal mercado não europeu, mantendo uma ligação particularmente forte ao imobiliário português.

Os dados sugerem, contudo, uma crescente predominância dos compradores europeus no panorama internacional.

Estrangeiros procuram cada vez mais comprar em vez de arrendar

A intenção de compra também está a ganhar peso entre os utilizadores internacionais.

Em 2026, 72,6% das pesquisas realizadas estão associadas à aquisição de imóvel, acima dos 68,4% registados em 2025. Em sentido inverso, a procura por arrendamento diminuiu de 31,6% para 27,4%.

Esta evolução reforça a ideia de que Portugal continua a ser encarado como um destino para investimento de longo prazo, residência permanente ou segunda habitação, e não apenas como um local de permanência temporária.

Apartamentos T2 continuam a liderar preferências

Ao nível das tipologias, os apartamentos T2 mantêm-se como a opção preferida dos compradores estrangeiros, concentrando 31% das pesquisas.

Seguem-se os T3, com 24,6%, e os T1, com 19,5%.

Destaca-se ainda o crescimento do interesse pelos T0, que passam de 7,2% para 10,1%, e pelos T4, que sobem de 3,5% para 5,4%, revelando uma maior diversidade de perfis e necessidades dos compradores internacionais.

No que diz respeito ao tipo de imóvel, os apartamentos continuam a dominar claramente as preferências, representando 47,9% das pesquisas, enquanto as moradias mantêm uma procura robusta, com 37,4%.

Em sentido contrário, os terrenos perdem expressão, passando de 8,6% para 7,4%, numa tendência que aponta para uma preferência crescente por soluções prontas a habitar.

Os dados do Imovirtual mostram, assim, que Portugal continua a atrair o interesse internacional, mas a geografia dessa procura está a transformar-se. Se durante anos Lisboa foi o principal epicentro da atenção dos compradores estrangeiros, hoje o interesse distribui-se por um número cada vez maior de cidades, refletindo um mercado mais maduro, diversificado e territorialmente equilibrado.