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Crédito à habitação: taxa mista perde peso mas mantém-se maioritário, revela BdP

 

Crédito à habitação: taxa mista perde peso mas mantém-se maioritário, revela BdP

23 de junho de 2026

A maioria do novo crédito à habitação contratado em 2025 continuou a ser feita a taxa mista, ainda que com menor peso face ao ano anterior, segundo o Relatório de Acompanhamento dos Mercados de Crédito divulgado pelo Banco de Portugal. A taxa mista representou 75,4% do montante de novos contratos, abaixo dos 81,5% registados em 2024 — uma queda associada à substituição parcial por crédito a taxa variável, num contexto de descida das taxas de juro.

A taxa variável subiu para 18,6% do montante concedido, acima dos 12,4% do ano anterior, enquanto a taxa fixa se manteve com peso reduzido, nos 6%. No total da carteira de crédito à habitação "viva" no final de 2025 — incluindo contratos antigos —, a taxa variável continuava a dominar, representando 68,1% do total.


11.134 contratos mensais em 2025

O número de novos contratos cresceu de forma expressiva: foram celebrados, em média, 11.134 contratos mensais em 2025, mais 11,5% do que em 2024, num montante médio mensal de 1.949,9 milhões de euros — uma subida de 34,9%. Já os outros créditos hipotecários registaram uma ligeira contração no número de contratos (-8,7%, para 37.366), mas um ligeiro aumento no montante concedido (+1,8%, para 2,7 mil milhões de euros).

O prazo médio dos novos contratos de crédito à habitação subiu para 31,7 anos, face aos 30,7 anos de 2024, impulsionado pelo regime de garantia do Estado. No conjunto da carteira total, o prazo médio recuou ligeiramente, de 33,6 para 33,5 anos.


Incumprimento residual

A descida das taxas de juro traduziu-se também numa redução dos reembolsos antecipados e das renegociações de crédito — movimentos que tinham sido particularmente significativos durante o período de taxas elevadas, como estratégia das famílias para reduzir a prestação mensal. Foram realizados 153.092 reembolsos antecipados em 2025, totalizando 8.400 milhões de euros, uma queda de 7,2% no montante amortizado. As renegociações recuaram 26,4% em montante, com 49.795 operações que totalizaram mais de 5.100 milhões de euros.

Quanto ao incumprimento, o peso no montante total de empréstimos à habitação e hipotecários diminuiu ligeiramente, de 0,2% em dezembro de 2024 para 0,1% em dezembro de 2025.