Logo Diário Imobiliário
CONSTRUÍMOS
NOTÍCIA
Brain PowerHaierJPS Group 2024Porta da Frente
Entrevistas
Pedro Rutkowski, CEO da WORX - Foto DI

Pedro Rutkowski, CEO da WORX - Foto DI

Pedro Rutkowski: “A construção industrializada vai acontecer”

24 de setembro de 2026

Portugal está a reforçar a sua capacidade de atração de investimento imobiliário internacional, mas enfrenta desafios que exigem uma visão de longo prazo e maior articulação entre diferentes áreas da economia. A leitura é de Pedro Rutkowski, CEO da WORX, que considera que o futuro do setor passa por acelerar a construção, apostar na industrialização e antecipar necessidades ao nível da energia, habitação, mobilidade e infraestruturas.

A intervenção ocorreu no âmbito da participação portuguesa no The District, em Madrid, onde Portugal foi o país convidado. Para Rutkowski, a presença e apoio da WORX no espaço de Portugal, reflete também a crescente projeção internacional do mercado português e o interesse que continua a despertar junto dos investidores.

“Portugal tem hoje uma credibilidade financeira e internacional muito maior”, afirmou, destacando também a capacidade de ligação cultural e linguística do país, nomeadamente pela facilidade de muitos portugueses comunicarem em espanhol, inglês e francês.

Construção modular para acelerar a oferta

Entre os principais “game changers” identificados pelo responsável da WORX está a industrialização da construção. Perante as necessidades de habitação existentes, considera necessário aumentar significativamente a velocidade de produção de novos edifícios.

A construção modular e industrializada poderá, na sua perspetiva, contribuir para esse objetivo, permitindo produzir componentes ou edifícios em ambientes controlados e reduzir constrangimentos associados à logística, aos prazos e à disponibilidade de mão de obra.

O setor enfrenta, contudo, dificuldades relacionadas com a falta de trabalhadores qualificados e com a incerteza sobre os custos de construção, agravada pelas oscilações nos preços das matérias-primas e pelos custos logísticos.

Rutkowski defende, por isso, que a construção industrializada pode ajudar não apenas a acelerar a execução dos projetos, mas também a reduzir o período de financiamento, com impacto nos custos globais dos empreendimentos.

Energia ganha peso nas decisões imobiliárias

A energia é outra das áreas que, segundo o CEO da WORX, terá uma influência crescente no desenvolvimento imobiliário. O responsável defende a criação de comunidades energéticas e uma maior integração entre os projetos imobiliários e as necessidades futuras de produção e distribuição de energia.

A questão ganha particular relevância com o crescimento dos centros de dados e das necessidades energéticas das cidades. Para Rutkowski, não basta desenvolver um projeto imobiliário sem assegurar previamente que existem condições para o ligar às infraestruturas necessárias.

O responsável dá como exemplo situações em que um empreendimento está construído, mas enfrenta dificuldades para concretizar a ligação à rede elétrica por falta de capacidade disponível.

“É preciso antecipar os problemas”, defende, considerando que os projetos devem ser pensados de forma mais estruturada e integrada, tendo em conta as necessidades de energia, mobilidade, infraestruturas e habitabilidade.


The District 2026

Planeamento integrado para reduzir custos

A necessidade de uma estratégia transversal estende-se também ao custo de vida e ao acesso à habitação. O aumento dos custos de financiamento e dos encargos associados à construção acaba por ter impacto no preço suportado pelos compradores.

Para o CEO da WORX, a resposta passa por maior concertação entre os diferentes intervenientes e por um planeamento capaz de antecipar as necessidades futuras, em vez de responder apenas aos problemas depois de estes surgirem.

A sustentabilidade do mercado imobiliário deve, na sua perspetiva, ser analisada para além da dimensão financeira, incorporando também fatores económicos, sociais e ambientais.

Estabilidade fiscal é determinante para o investimento

Rutkowski considera igualmente importante assegurar estabilidade nas regras que enquadram o investimento imobiliário. Sendo o imobiliário um ativo de natureza fixa e de longo prazo, alterações frequentes ao enquadramento fiscal podem ter impacto significativo nas decisões de investimento.

O responsável defende, por isso, maior previsibilidade para quem investe e a existência de condições que permitam desenvolver projetos com horizontes temporais mais alargados.

Na sua intervenção, sublinhou ainda que as decisões públicas devem considerar períodos superiores aos ciclos eleitorais, sobretudo em áreas como habitação, infraestruturas e ordenamento do território.

Arrendamento e novas formas de viver

A habitação deverá igualmente responder a mudanças nos modelos de vida e de mobilidade. Nem todas as pessoas têm capacidade financeira para comprar casa, pelo que Rutkowski considera necessário garantir condições adequadas no mercado de arrendamento.

O teletrabalho é apontado como um dos fatores que já está a alterar os padrões de localização da população, permitindo que algumas pessoas se desloquem para zonas menos densamente povoadas.

Para o responsável da WORX, estas transformações devem ser incorporadas no planeamento das cidades e das políticas de habitação, tendo em consideração não apenas as necessidades atuais, mas também as das próximas gerações.

“Portugal continua a ser um país fantástico”

Apesar dos desafios identificados, Pedro Rutkowski mantém uma visão positiva sobre a capacidade de atração do país.

“Portugal continua a ser um país fantástico, cheio de oportunidades”, afirmou, destacando a atratividade internacional do mercado e o interesse de pessoas e investidores estrangeiros em permanecer no país.

O desafio, acrescenta, passa agora por consolidar as condições existentes e identificar o que pode ser melhorado. Para o CEO da WORX, a construção de um mercado imobiliário sustentável exige uma abordagem de longo prazo, capaz de conjugar investimento, habitação, energia, infraestruturas e condições económicas.

Pedro Rutkowski, foi um dos oradores da conferência que decorreu no The District, "Parcerias, Desenvolvimento e Execução em Portugal", num painel que tinha também António Velho da Palma, CEO da Alecrim Real Estate, Leonel da Cunha Silva, diretor de projeto do Grupo Casais e moderada por Manuel Maria Gonçalves, CEO da APPII – Associação Portuguesa de Promotores e Investidores Imobiliários.

O Diário Imobiliário é Media Partner do The District 2026.

Texto de Fernanda Pedro, em Madrid