
Espanha: Investimento hoteleiro atinge máximo histórico no 1.º semestre de 2026
O investimento hoteleiro em Espanha somou 2.460 milhões de euros no primeiro semestre de 2026, segundo dados da consultora Colliers, um aumento de 26,5% face ao mesmo período do ano anterior e o valor mais elevado de sempre para um primeiro semestre.
A maior parte da actividade concentrou-se em hotéis já existentes, que representaram 2.078 milhões de euros do total, enquanto os activos para reconversão somaram 101 milhões e os terrenos para desenvolvimento hoteleiro, 281 milhões. No conjunto, foram transaccionados 88 activos e 12.187 quartos.
O preço médio por quarto também atingiu um máximo histórico, nos 213.300 euros — mais do dobro do registado há dez anos —, um crescimento que a Colliers associa ao peso crescente de activos de elevada qualidade e ao interesse dos investidores por destinos consolidados com fundamentos operacionais sólidos.
Activos vacacionais e urbanos
Por tipologia, o produto vacacional continua a dominar o mercado, com 60% do investimento total, face aos 40% do segmento urbano, reflectindo o maior potencial de crescimento dos destinos turísticos e a sua capacidade de captar procura internacional. Também por categoria, os hotéis de 5 estrelas concentraram 51% do volume investido, seguidos dos de 4 estrelas, com 35%, confirmando a concentração do investimento no segmento premium.
Do ponto de vista geográfico, os destinos vacacionais lideram a atracção de capital. As Ilhas Baleares encabeçam a lista, com 577 milhões de euros e 23% do total nacional, seguidas da Costa del Sol, com 435 milhões (18%) e das Ilhas Canárias, com 363 milhões (15%). Os destinos urbanos, nomeadamente Madrid e Barcelona, somam em conjunto 562 milhões de euros e 23% do investimento total, com Madrid à frente no segmento urbano.
O semestre trouxe ainda uma mudança relevante na estrutura do mercado: as operações sobre activos individuais passaram a representar 81% do total, contra apenas 19% de transacções de portefólio — um mínimo histórico na série. Este ajuste reflecte tanto a menor disponibilidade de grandes carteiras como o protagonismo crescente de investidores privados e cadeias hoteleiras face aos grandes fundos de investimento.
Quem compra...
Entre os compradores mais activos destacam-se as cadeias hoteleiras e os investidores nacionais, que reforçam posições através de aquisições selectivas, as SOCIMIs e veículos especializados focados em activos estabilizados ou com potencial de valorização, e os fundos internacionais interessados em oportunidades value-add. O capital nacional dominou o semestre, com 62% do total investido.
Operações relevantes
Entre as operações mais relevantes do período contam-se a aquisição de terreno para o Four Seasons Marbella, a venda de 50% do Four Seasons Madrid, a recompra pela Palladium dos 75% que a Azora detinha na joint-venture entre ambas, o portefólio de três hotéis da HI Partners adquirido pela Calena, e transacções sobre activos individuais como o Tivoli La Caleta e o Ocean House Torremolinos — esta última assessorada pela Colliers.
Gonzalo Gutiérrez, Managing Director de Hotéis na Colliers, sublinha que o semestre fecha com a melhor cifra de investimento de sempre, o que confirma a profundidade e liquidez do mercado, e atribui o recorde no preço por quarto ao esforço de reforma e reposicionamento de hotéis nos últimos anos, associado a um maior interesse dos investidores por activos já estabilizados. Segundo o responsável, as perspectivas mantêm-se positivas para o segundo semestre, que poderá voltar a superar os 4.000 milhões de euros de investimento.
















