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Eficiência energética - Freepik

Eficiência energética - Freepik

Esforço financeiro trava investimento na eficiência energética nas casas portuguesas

26 de fevereiro de 2026

94% dos portugueses gostam das suas casas, mas apenas 38% estão totalmente satisfeitos. Estado de conservação, isolamento, desconforto térmico e custos de manutenção são dos principais pontos de insatisfação. Estas são algumas das conclusões do mais recente estudo do Observador Cetelem dedicado ao tema “Habitação: um compromisso com transição energética sob pressão financeira”.

O relatório traça uma análise sobre a perceção dos portugueses face à habitação, revelando que, apesar desta continuar a ser uma prioridade central de investimento e valorização para a maioria das famílias, a pressão orçamental está a bloquear decisões estruturais, especialmente no que respeita à transição energética e ao conforto do lar.

Os dados indicam que 90% dos portugueses sentem uma ligação à sua habitação e, embora 94% assumam estar satisfeitos com o seu lar, esta percepção é maioritariamente moderada (56%), com apenas 38% totalmente satisfeitos. Esta satisfação cai significativamente quando o foco são os custos de manutenção (apenas 33% estão totalmente satisfeitos) ou o estado de conservação do imóvel (28%). As fragilidades são realçadas com 30% dos inquiridos a avaliar negativamente o conforto térmico no inverno e 22% a mostrar-se insatisfeito com o isolamento das suas casas.

Factura energética no centro das preocupações

A energia é, actualmente, o maior foco de incerteza para as famílias. O estudo revela que 69% dos portugueses receiam o aumento dos preços da eletricidade e mais de metade (54%) teme não conseguir pagar as faturas no futuro. Ainda assim, apesar de 93% reconhecerem que o desempenho energético influencia o valor de mercado do imóvel e de 69% dos que renovaram a casa registarem reduções nas faturas, a aposta na eficiência energética é bloqueada por falta de verbas: 71% dos que desistiram de fazer obras apontam o custo como uma das razões principais.

“Os resultados deste estudo mostram que a casa continua a ser o porto de abrigo dos portugueses, mas é um abrigo sob pressão. Existe uma consciência clara de que a eficiência energética valoriza o património, traz mais conforto e reduz custos, mas a disponibilidade financeira condiciona a realização de projectos de remodelação. Em 2026, o desafio passa por tornar acessíveis soluções que facilitem a concretização destes projectos, bem como a transição energética, garantindo que o conforto e a sustentabilidade não sejam adiados por limitações orçamentais”, afirma Hugo Lousada, Diretor de Marketing, B2B & B2C do Cetelem.

Motivação é o conforto e não o ambiente

A sustentabilidade do planeta não é o motor das obras de renovação. Apenas 7% dos portugueses indicam motivações ambientais, enquanto 42% elegem o conforto como a razão prioritária para investir na casa. No entanto, o planeamento é cauteloso: apenas 14% têm a certeza de que farão obras este ano, com mais 41% a admitirem esta possibilidade.

Quanto ao financiamento, o recurso a capitais próprios prevalece, com 48% a recorrerem a poupançase 29% a pronto pagamento. 17% esperam conseguir concretizar estes projectos com acesso a ajudas públicas e 27% recorrem à subscrição de um crédito para obras de renovação. O Observador Cetelem, marca comercial do BNP Paribas Personal Finance em Portugal, antecipa, no entanto, que possa existir uma transformação no mercado, uma vez que 46% dos jovens até aos 35 anos considera o crédito como uma ferramenta natural e ágil de valorização do património.