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Escassez de oferta deverá reforçar pressão sobre rendas logísticas até 2029

8 de junho de 2026

A crescente escassez de espaços logísticos de qualidade e a procura cada vez mais focada em activos modernos e estrategicamente localizados deverão continuar a pressionar as rendas nos próximos anos. A conclusão é do relatório Waypoint 2026, da Cushman & Wakefield (C&W), que analisa a evolução de 135 mercados logísticos em todo o mundo.

Segundo o estudo, a proporção de mercados com condições favoráveis aos ocupantes deverá diminuir de 52% em 2026 para apenas 33% até 2029. Em sentido inverso, os mercados favoráveis aos proprietários deverão aumentar de 26% para 39% no mesmo período, reflectindo uma redução da disponibilidade de espaço e uma oferta futura cada vez mais limitada.

A consultora destaca que a reorganização das cadeias de abastecimento globais, impulsionada por riscos geopolíticos, comerciais e climáticos, está a levar as empresas a procurar instalações logísticas de maior qualidade, mais eficientes e estrategicamente posicionadas.

As rendas logísticas globais encontram-se atualmente 36% acima dos níveis registados em 2020 e mais de metade dos mercados analisados (54%) antecipam novos aumentos nos próximos três anos.

“A próxima fase do ciclo logístico será definida pela preparação e antecipação. As empresas que integrem resiliência nas suas estratégias imobiliárias, através de um uso mais inteligente da tecnologia, da automação e de activos energeticamente sustentáveis, estarão muito melhor posicionadas para gerir disrupções e assegurar crescimento a longo prazo”, afirma Sally Bruer, autora do estudo da Cushman & Wakefield.

Janela de oportunidade para ocupantes está a diminuir na Europa

Na região da Europa, Médio Oriente e África (EMEA), cerca de 54% dos mercados continuam actualmente a oferecer condições favoráveis aos ocupantes. No entanto, essa percentagem deverá cair para 39% até 2029, à medida que a disponibilidade estabiliza ou diminui e os novos desenvolvimentos permanecem limitados.

Mercados considerados estratégicos, como Reino Unido, Alemanha e Países Baixos, deverão assistir a uma redução gradual da oferta disponível, reforçando a necessidade de decisões mais rápidas por parte das empresas que procuram garantir localizações de elevada qualidade.

Na Europa Ocidental e do Norte, países como Reino Unido, Suécia, Bélgica e Países Baixos já registam uma diminuição das taxas de disponibilidade, enquanto na Europa Central e de Leste mercados como Polónia, República Checa e Hungria mantêm condições mais equilibradas, embora a tendência também aponte para uma redução gradual da oferta.

Eficiência energética ganha peso nas decisões de ocupação

O relatório identifica ainda os custos energéticos como um dos factores mais determinantes na escolha de localizações logísticas.

Os elevados preços da electricidade em países como Alemanha, Itália, Países Baixos e Reino Unido estão a levar empresas e operadores logísticos a privilegiar edifícios energeticamente eficientes, projectos com acesso a energias renováveis e localizações dotadas de infraestruturas energéticas mais robustas.

Esta tendência deverá acelerar a procura por activos sustentáveis e tecnologicamente avançados, reforçando o valor dos imóveis que conseguem responder aos novos requisitos ambientais e operacionais dos ocupantes.

Portugal entre os mercados com maior crescimento das rendas

Portugal integra o grupo de mercados europeus onde as rendas logísticas mais cresceram ao longo dos últimos 12 meses, juntamente com Reino Unido, França, Irlanda, Bélgica e Suécia.

Segundo a Cushman & Wakefield, esta evolução resulta da combinação entre uma procura resiliente e uma oferta limitada, tanto ao nível dos projetos especulativos como dos desenvolvimentos build-to-suit, concebidos especificamente para responder às necessidades dos ocupantes.

Para Sérgio Nunes, Head of Industrial, Logistics & Land da Cushman & Wakefield em Portugal, o mercado nacional enfrenta atualmente um claro desequilíbrio entre oferta e procura.

“Portugal integra um grupo restrito de mercados europeus onde as rendas mais cresceram nos últimos 12 meses, refletindo um claro desequilíbrio entre procura e oferta, particularmente no segmento de ativos de maior qualidade”, afirma.

O responsável sublinha ainda que o setor está a atravessar uma transformação estrutural, marcada pela crescente procura de armazéns de grande dimensão, tecnologicamente avançados e altamente automatizados.

Apesar da existência de novos projectos em desenvolvimento, o volume de oferta futura continua insuficiente para responder às necessidades do mercado. Por essa razão, a consultora antecipa que a escassez de espaços logísticos se mantenha ao longo de 2026, continuando a exercer pressão sobre os valores das rendas.

Num contexto de reconfiguração das cadeias de abastecimento globais e de crescente exigência em matéria de eficiência operacional e sustentabilidade, os ativos logísticos de qualidade deverão consolidar-se como um dos segmentos mais procurados do mercado imobiliário europeu.