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Construção mundial abranda em 2026 e enfrenta pressão de custos, juros e falta de mão de obra
O setor da construção deverá crescer apenas 1,4% este ano, mantendo um ritmo semelhante ao de 2025. Custos energéticos, inflação, taxas de juro elevadas e escassez de trabalhadores qualificados continuam a condicionar o investimento e a atividade das empresas.
Segundo um relatório da Crédito y Caución, o crescimento do setor da construção deverá permanecer limitado em 2026, num contexto marcado pela subida dos custos, pela incerteza económica e pela redução da confiança das empresas e das famílias.
O desempenho do setor está a ser condicionado por vários fatores, entre os quais o aumento do preço da energia, a inflação e a subida das taxas de juro. Este cenário tem impacto direto no custo dos projetos, mas também na capacidade de investimento das empresas e no poder de compra das famílias, contribuindo para travar a procura por habitação.
As perspetivas diferem, contudo, entre economias desenvolvidas e mercados emergentes. As primeiras deverão crescer apenas 0,8% em 2026, enquanto os mercados emergentes deverão atingir 2,8%, impulsionados sobretudo pelo processo de urbanização e pelo desenvolvimento de novas infraestruturas.
A Índia surge como um dos principais motores deste crescimento, com uma previsão de expansão de 6,5% este ano.
Para 2027, a Crédito y Caución antecipa uma recuperação do setor, com o crescimento mundial a atingir 3,0%, suportado sobretudo por uma maior atividade na Europa e na América do Norte.
Custos e falta de mão de obra pressionam empresas
Além da conjuntura económica, as empresas de construção enfrentam dificuldades relacionadas com a evolução dos custos e com a disponibilidade de trabalhadores qualificados.
A escassez de mão de obra especializada e os custos laborais elevados estão a pressionar as margens das construtoras e a contribuir para atrasos na execução e entrega dos projetos.
O problema é agravado pela existência de contratos celebrados a preços fixos. Quando os custos de materiais, energia ou trabalho aumentam, as empresas ficam com menor capacidade para repercutir esses aumentos nos preços finais, absorvendo parte da subida dos custos.
A situação torna-se ainda mais complexa num contexto geopolítico instável, marcado pelo conflito no Golfo e pelo bloqueio do estreito de Ormuz, com potenciais impactos sobre os custos energéticos e as cadeias de abastecimento.
Europa e Reino Unido entre os mercados mais pressionados
Na Europa e no Reino Unido, o setor deverá crescer apenas 0,5% em 2026, abaixo da média mundial.
O desempenho é condicionado por políticas fiscais mais restritivas, custos elevados dos materiais e falta de trabalhadores qualificados. A combinação destes fatores limita a capacidade das empresas para aumentar a atividade e manter níveis de rentabilidade.
A pressão sobre as margens é particularmente relevante num mercado caracterizado por forte concorrência. A situação é agravada pelos atrasos nos pagamentos por parte de alguns compradores públicos, que podem criar dificuldades adicionais de tesouraria às empresas.
De acordo com a análise da Crédito y Caución, esta combinação de fatores ajuda a explicar por que razão a construção apresenta uma proporção de falências superior à da maioria dos restantes setores.
Habitação continua condicionada
O impacto sobre a habitação é igualmente significativo. A subida das taxas de juro e a perda de poder de compra das famílias dificultam o acesso ao crédito e reduzem a capacidade de absorção de novos projetos residenciais.
Para os promotores, o aumento dos custos de construção acrescenta pressão num mercado onde os preços finais nem sempre conseguem acompanhar a mesma evolução. A consequência é uma maior dificuldade em assegurar a viabilidade económica de determinados projetos.
A recuperação esperada para 2027 poderá, neste contexto, representar uma oportunidade para o setor, mas dependerá da evolução dos custos energéticos, das condições de financiamento, da disponibilidade de mão de obra e da estabilidade das cadeias de abastecimento.
Até lá, as empresas de construção continuam a operar num cenário de crescimento moderado, margens pressionadas e maior risco financeiro, com a capacidade de controlar custos e aumentar a produtividade a assumir um papel cada vez mais importante na sustentabilidade do setor.















