Logo Diário Imobiliário
CONSTRUÍMOS
NOTÍCIA
Brain PowerHaierJPS Group 2024Porta da Frente
Turismo
Conflito no Médio Oriente poderá alterar padrões do turismo global e pressionar custos do sector

avião

Conflito no Médio Oriente poderá alterar padrões do turismo global e pressionar custos do sector

12 de junho de 2026

O turismo mundial iniciou 2026 com perspectivas de crescimento robustas, após ter alcançado resultados históricos em 2025. No ano passado, as chegadas internacionais atingiram quase 1.500 milhões de turistas, ultrapassando pela primeira vez os níveis registados antes da pandemia, enquanto os gastos globais dos visitantes foram estimados em 1,9 biliões de dólares (1,65 milhões de milhões de euros).

No entanto, a escalada do conflito no Médio Oriente está a introduzir novos factores de incerteza no sector, provocando alterações nos fluxos turísticos internacionais e pressionando os custos da indústria da aviação e do turismo.

De acordo com uma análise da Crédito y Caución, o aumento dos preços dos combustíveis poderá traduzir-se num agravamento das tarifas aéreas, levando muitos viajantes a optar por destinos mais próximos e acessíveis. Esta tendência deverá beneficiar sobretudo os mercados de curta e média distância, particularmente na Europa e na Ásia.

Europa e Ásia podem beneficiar da redistribuição da procura

A seguradora de crédito trabalha atualmente com dois cenários distintos para a evolução do turismo internacional, dependendo da duração e intensidade do conflito.

No cenário base, a procura turística deverá crescer cerca de 8% na Europa e 12% na Ásia até ao final do período analisado. Já num cenário mais pessimista, marcado por uma guerra prolongada e por maiores impactos nos mercados energéticos, o crescimento poderá desacelerar para 3% na Europa e 5% na Ásia.

Os dois continentes assumem uma importância determinante na actividade turística global. Actualmente, a Europa concentra cerca de 52% das chegadas internacionais, enquanto a Ásia representa aproximadamente 22%.

Custos dos combustíveis colocam pressão sobre as companhias aéreas

Segundo a análise da Crédito y Caución, a actual situação caracteriza-se sobretudo como uma crise de preços e não como uma interrupção física do abastecimento energético.

O combustível representa entre 25% e 30% dos custos operacionais das companhias aéreas, pelo que qualquer aumento significativo tem impacto imediato na rentabilidade das transportadoras.

Entre os efeitos esperados encontram-se a compressão das margens de lucro, o aumento das taxas e sobretaxas associadas aos bilhetes, a redução de rotas menos rentáveis e uma maior optimização da utilização das aeronaves.

O impacto assume particular relevância tendo em conta que o transporte aéreo representa cerca de dois terços das deslocações turísticas internacionais realizadas em todo o mundo.

Toda a cadeia de valor do turismo sob pressão

Os efeitos da crise não se limitam às companhias aéreas. A Crédito y Caución alerta que operadores turísticos, agências de viagens, unidades hoteleiras dependentes de turistas de longa distância e empresas de transporte e serviços poderão enfrentar um contexto mais desafiante nos próximos meses.

A capacidade de adaptação das empresas dependerá, em grande medida, da sua solidez financeira, das estratégias de gestão de custos energéticos e da capacidade para ajustar preços sem comprometer a procura.

Por outro lado, os segmentos ligados ao turismo doméstico e às viagens de curta distância deverão revelar maior resiliência, beneficiando da tendência dos consumidores para reduzir custos e evitar deslocações mais longas.

Sector enfrenta vulnerabilidades estruturais

Apesar das incertezas, a seguradora não antecipa uma quebra abrupta da actividade turística mundial. Ainda assim, considera que o actual contexto evidencia algumas vulnerabilidades estruturais do sector, sobretudo a sua forte dependência do transporte aéreo e dos custos energéticos.

Caso as restrições e tensões geopolíticas se prolonguem, o turismo global poderá enfrentar um período caracterizado por menor conectividade internacional, preços mais elevados e alterações duradouras nos padrões de viagem.

Neste contexto, a protecção da sustentabilidade financeira das empresas assume um papel central. O aumento dos custos operacionais, particularmente nos sectores mais dependentes da mobilidade internacional, continua a ser uma das principais preocupações para os operadores turísticos, podendo exercer pressão adicional sobre as margens de rentabilidade nos próximos anos.