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Projecto urbanístico na zona das Amoreiras em Lisboa prevê 683 fogos de habitação

Simulação tridimensional

Projecto urbanístico na zona das Amoreiras em Lisboa prevê 683 fogos de habitação

10 de março de 2026

O projecto urbanístico na Rua de Artilharia 1, na freguesia lisboeta de Campolide, promovido pelo Novo Banco e que está em discussão pública até quarta-feira, prevê sete lotes, com 683 fogos de habitação e área de comércio e serviços.

Em causa está um pedido de alteração da licença de operação de loteamento de 2016, requerido pelo Fundo de Gestão de Património Imobiliário - Fungepi Grupo Novo Banco, na sequência da revogação, em 2024, do Plano de Pormenor da Artilharia Um (PPAU), desbloqueando o processo de urbanização de um terreno abandonado na zona das Amoreiras, com “aproximadamente 10,9 hectares”, onde se prevê “mais habitação”, segundo a Câmara Municipal de Lisboa.

Aquando da revogação do PPAU, a então vereadora do Urbanismo, Joana Almeida (independente eleita pelo PSD/CDS-PP/MPT/PPM/Aliança), disse que os serviços municipais iriam apreciar “uma proposta já trabalhada no sentido de qualificar toda aquela zona”, referindo que, em relação ao antigo projecto de 2016, prevê-se “mais área de construção para habitação”, uma área verde aberta ao bairro, mais equipamentos públicos e uma zona muito mais permeável.



Um imenso terreno «premium» há décadas em pousio!



O que está em discussão pública...

O novo projecto encontra-se em discussão pública, pelo período de 15 dias úteis, que teve início em 17 de Fevereiro, terminando na quarta-feira, 11 de Março, informou a autarquia, avisando que “os interessados deverão apresentar as suas reclamações, observações ou sugestões em ofício devidamente identificado, dirigido ao presidente da Câmara Municipal de Lisboa”.

A operação de loteamento abrange uma área de 49.884,69 metros quadrados (m2), em terrenos localizados na Avenida Engenheiro Duarte Pacheco, Avenida Conselheiro Fernando de Sousa, Rua Marquês de Fronteira e Rua de Artilharia 1 e “mantém a superfície de pavimento de 133.168 m2 anteriormente aprovada”, lê-se no sumário executivo do processo urbanístico.

A solução proposta prevê “a constituição de sete lotes com área total de 23.533,07 m2” e a redistribuição da superfície de pavimento, com 79.152,60 m2 destinados a habitação (683 fogos), 6.830 m2 a comércio e 47.185,40 m2 a serviços, “sendo ainda propostos 1.200 m2 para equipamento público no Lote 6 a entregar ao município (área não contabilizada para superfície de pavimento) com uma área exterior associada”.

Segundo o processo urbanístico, o edificado terá no máximo 12 pisos acima do solo e cinco pisos abaixo do solo, com uma implantação total acima do solo de 14.539,04 m2 e construção em cave de 22.180,75 m2, essencialmente para estacionamento, com 2.066 lugares privados.

Na área remanescente aos lotes, é prevista a constituição de uma parcela destinada a um parque de estacionamento público, com 455 lugares, numa área de 3.485 m2, bem como “um espaço verde de utilização colectiva, permeável, a ceder ao domínio municipal”, com 12.201,86 m2, ficando os restantes 10.664,76m2, afetos a rede viária e estacionamento público de superfície, com 155 lugares, de acordo com a proposta.

As áreas dos lotes à superfície não ocupadas pela implantação dos edifícios “encontram-se parcialmente sujeitas a servidões de utilização pública, num total de 5.285,60 m2”, indica a proposta, referindo que a execução das obras de urbanização está devidamente articulada com a empreitada de expansão da linha Vermelha do Metropolitano de Lisboa, designadamente nos acessos à futura estação Amoreiras.



Simulação tridimensional do projecto em discussão



Os projectos de 2016 e… 2026

O concurso privado de arquitectura e urbanismo realizado em 2018 para o antigo quartel da Artilharia 1, nas Amoreiras, não teve um vencedor formal publicamente anunciado. Tratou-se de um concurso restrito por convite promovido pelo Novo Banco, proprietário do terreno, destinado sobretudo a recolher propostas conceptuais de desenvolvimento urbano.

Na comparação de parâmetros urbanísticos, entre o projecto aprovado em 2016 e o agora proposto, a área dos lotes reduz de 41.278 m2 para 23.533,07 m2, o número máximo de fogos aumenta de 570 para 683, com o acréscimo da superfície de pavimento para habitação de 68.393 m2 para 79.152,60 m2, a construção abaixo do solo passa de sete para cinco pisos, com a redução da área de 41.278 m2 para 22.180,75 m2, o estacionamento privado reduz de 2.749 para 2.066 lugares e o estacionamento público diminui de 719 para 610 lugares.

Em resposta à agência Lusa, o presidente da Junta de Freguesia de Campolide, José Miguel Cerdeira (IL), disse que vai participar na consulta pública para assegurar “a melhor proposta que sirva os interesses dos fregueses e de quem trabalha” neste território da cidade, considerando que “é importante garantir que existe mais habitação, espaços verdes, serviços e comércio, assim como mais segurança”.

“Um terreno baldio há décadas e décadas no coração de Campolide do qual ninguém usufrui é uma vergonha, e nós vamos trabalhar para a melhor solução”, afirmou o autarca da IL.

Lusa/DI