
Nelson Lage, presidente da ADENE
Portugal leva combate à pobreza energética ao maior palco mundial da eficiência energética
Portugal apresentou, na 11.ª Conferência Global sobre Eficiência Energética da Agência Internacional de Energia (AIE), uma nova metodologia para medir a pobreza energética e reforçou a defesa da eficiência energética como um dos principais instrumentos para aumentar a competitividade económica, reduzir os custos da energia e acelerar a transição climática.
Representado pela ADENE - Agência para a Energia, o país participou na reunião que decorreu em Montreal, no Canadá, reunindo mais de 600 responsáveis políticos, empresariais e institucionais de todo o mundo, num dos mais importantes fóruns internacionais dedicados à eficiência energética.
Durante a sessão ministerial, o presidente da ADENE, Nelson Lage, sublinhou que "a eficiência energética é hoje um activo estratégico para a acessibilidade, a segurança energética e a competitividade", destacando a evolução registada por Portugal ao longo das últimas duas décadas. Segundo o responsável, a intensidade energética da economia portuguesa diminuiu de forma significativa e as energias renováveis representam actualmente cerca de 70% da produção elétrica nacional.
Apesar dos progressos alcançados, Nelson Lage alertou que os edifícios, os transportes e a indústria continuam a concentrar a maior parte do consumo energético nacional, defendendo a necessidade de acelerar a electrificação e a descarbonização destes sectores. Neste âmbito, revelou ainda que Portugal prepara uma Estratégia Industrial Verde até ao final de 2026, articulando eficiência energética, competitividade industrial e transição climática.
Um dos momentos centrais da participação portuguesa aconteceu na mesa-redonda dedicada à acessibilidade energética das famílias, onde foram apresentados os resultados mais recentes do Observatório Nacional da Pobreza Energética.
Os dados revelam que Portugal continua entre os países europeus mais vulneráveis nesta matéria: 15,7% das famílias não dispõem de aquecimento adequado durante o inverno e cerca de 30% vivem em habitações com condições térmicas insatisfatórias ou degradadas.
Perante este cenário, a ADENE apresentou um novo Índice de Vulnerabilidade à Pobreza Energética, desenvolvido em colaboração com o CENSE da Universidade NOVA de Lisboa, que permite mapear a vulnerabilidade à escala municipal e direcionar de forma mais eficaz os apoios públicos para os territórios e famílias que mais necessitam.
Na intervenção, Nelson Lage defendeu que um dos principais desafios não reside apenas na existência de programas de apoio, mas na capacidade de identificar correctamente quem deles necessita. "O sofrimento invisível aos dados permanecerá invisível às políticas. Precisamos de indicadores que meçam a ausência, não apenas a despesa", afirmou.
Portugal manifestou ainda disponibilidade para colaborar com a Agência Internacional de Energia e com a Comissão Europeia na definição de novos indicadores internacionais sobre pobreza energética, procurando contribuir para a construção de políticas públicas mais eficazes.
No plano nacional, a ADENE destacou igualmente o trabalho desenvolvido através da rede de mais de 100 Espaços Energia distribuídos pelo país, que prestam apoio directo às famílias em matérias como eficiência energética, certificação dos edifícios e redução da factura energética, bem como a coordenação portuguesa do Pacto de Autarcas para o Clima e Energia.
A participação portuguesa na conferência reforça o posicionamento do país no debate internacional sobre eficiência energética e combate à pobreza energética, numa altura em que a redução dos consumos, a segurança do abastecimento e a descarbonização assumem um papel cada vez mais central nas políticas energéticas europeias.















