Logo Diário Imobiliário
CONSTRUÍMOS
NOTÍCIA
Brain PowerHaierJPS Group 2024Porta da Frente
Habitação
Imóveis para renovar custam menos 240 mil euros do que casas prontas a habitar

 

Imóveis para renovar custam menos 240 mil euros do que casas prontas a habitar

22 de outubro de 2026

Comprar casa para renovar pode representar uma poupança significativa no preço inicial de aquisição. Entre janeiro e setembro, os apartamentos e moradias que necessitavam de obras apresentavam um preço médio anunciado de 150 mil euros, menos 240 mil euros do que os imóveis prontos a habitar, cujo valor médio atingia os 390 mil euros, segundo dados do Imovirtual.

A diferença de preços não significa, contudo, que a renovação seja sempre a opção mais económica. O investimento final depende de fatores como a localização, a área, o estado de conservação e a dimensão das intervenções necessárias, bem como dos respetivos custos e prazos.

Apartamentos para renovar ficam 50% mais caros num ano

A evolução dos preços revela um agravamento expressivo no segmento dos apartamentos para renovar. Em 2026, o preço médio anunciado atingiu os 225 mil euros, contra os 150 mil euros registados em 2025, o que corresponde a uma subida de 50%.

Em contrapartida, os apartamentos prontos a habitar registaram um aumento mais moderado, de 5,4%, para um preço médio de 353 mil euros.

Nas moradias, a diferença entre os dois segmentos é ainda mais acentuada. As moradias prontas a habitar apresentavam um preço médio de 485 mil euros, enquanto as que necessitavam de obras tinham um valor médio anunciado de 130 mil euros.

Os dados mostram, assim, diferenças significativas entre tipologias e estados de conservação, que devem ser consideradas por quem procura comprar casa e pondera realizar obras.

Imóveis para renovar representam apenas 10,5% da oferta

Apesar dos preços mais baixos, os imóveis para renovar estão a perder representatividade na oferta anunciada. Em 2025, correspondiam a 13,8% dos anúncios analisados pelo Imovirtual. Em 2026, essa proporção desceu para 10,5%, uma redução de 3,3 pontos percentuais.

Em sentido contrário, os imóveis prontos a habitar passaram a representar 89,5% da oferta, face aos 86,2% registados no ano anterior.

A composição dos anúncios também varia consoante o estado de conservação. Entre os imóveis prontos a habitar, os apartamentos representam 62,1% da oferta e as moradias 37,9%. No segmento dos imóveis para renovar, a distribuição inverte-se: 69,2% são moradias e 30,8% apartamentos.

«Os imóveis para renovar continuam a representar uma alternativa no mercado, mas têm hoje um peso menor no conjunto da oferta anunciada», afirma Sylvia Bozzo, Marketing Manager do Imovirtual, destacando o predomínio das moradias neste segmento e a maior representatividade dos apartamentos entre os imóveis prontos a habitar.

Setúbal, Lisboa e Porto concentram 42,7% dos anúncios

A distribuição geográfica da oferta de imóveis para renovar evidencia uma concentração nos distritos de Setúbal, Lisboa e Porto.

Setúbal lidera, com 15,5% dos anúncios analisados em 2026, seguindo-se Lisboa, com 14,5%, e Porto, com 12,7%. Em conjunto, os três distritos concentram 42,7% da oferta deste segmento.

Estes dados identificam os principais mercados em termos de volume de anúncios de imóveis para renovar, embora não permitam, por si só, concluir que sejam os distritos com os preços mais baixos ou com maior rentabilidade potencial para investimento.

Imóveis para renovar atraem quase o dobro do interesse face ao peso na oferta

O comportamento dos utilizadores na plataforma revela também diferenças entre os dois segmentos. Em 2026, os imóveis prontos a habitar concentraram 80,4% das visualizações, acima dos 76,3% registados em 2025.

Já os imóveis para renovar passaram de 23,7% para 19,6% das visualizações no mesmo período.

Apesar da descida, estes imóveis continuam a captar uma proporção de visualizações superior ao seu peso na oferta: representam 19,6% das visualizações, mas apenas 10,5% dos anúncios analisados.

Para Sylvia Bozzo, a diferença de preços continua a tornar este segmento uma alternativa a considerar, embora a decisão deva ter em conta o investimento global. "O orçamento das obras, os prazos e as condições do imóvel são determinantes para perceber se esta opção é realmente vantajosa", sublinha.

Num mercado em que os imóveis prontos a habitar dominam a oferta, a aquisição de casas para renovar mantém-se como uma possibilidade para quem procura alternativas de compra. A comparação entre os preços anunciados, o estado de conservação e os custos previstos das obras será, contudo, determinante para avaliar o investimento total.