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Crédito à habitação supera 2 mil milhões de euros pelo sexto mês consecutivo
O crédito à habitação em Portugal atingiu 2.131 milhões de euros em novos contratos em agosto, ultrapassando os dois mil milhões pelo sexto mês consecutivo. Segundo o Barómetro Simplefy, as renegociações recuaram para um mínimo histórico, enquanto os juros subiram para 3% e a avaliação bancária das casas atingiu um novo recorde.
O montante total das operações de crédito à habitação, incluindo novos contratos e renegociações, fixou-se em 2.553 milhões de euros em agosto de 2026, uma subida de 14,08% face ao mesmo mês do ano anterior, mas uma redução de 12,03% relativamente a julho.
De acordo com o Barómetro Simplefy de outubro, o crédito concedido através de novos contratos, excluindo renegociações, totalizou 2.131 milhões de euros, mais 20,51% em termos homólogos, embora tenha recuado 9,46% em relação ao mês anterior.
O relatório destaca que este foi o sexto mês consecutivo em que o crédito novo ultrapassou os dois mil milhões de euros, uma sequência inédita na série analisada.
Renegociações e novos contratos
Em contrapartida, o peso das renegociações caiu para 16,51% do total das operações, o valor mais baixo da série, depois de ter atingido 18,88% em julho e 26,41% em março.
A evolução contrasta com o período de 2022 a 2024, marcado pelo aumento das renegociações de empréstimos, que chegaram a representar 53% das operações em setembro de 2023.
Para Rui Lopes, CEO da Simplefy, os números revelam uma mudança no mercado do financiamento habitacional.
«As renegociações perderam o peso que tiveram nos últimos anos e o novo crédito ganhou consistência, mantendo-se acima dos dois mil milhões de euros há seis meses consecutivos», afirma.
O responsável considera que esta evolução constitui um sinal de maior confiança das famílias, embora alerte para a necessidade de manter prudência nas decisões de financiamento.
Taxas mistas: quase 87% dos novos contratos
O barómetro revela também uma alteração significativa nas modalidades de financiamento escolhidas pelos compradores de habitação.
Os empréstimos com taxa mista, que combinam um período inicial de taxa fixa com um período posterior de taxa variável, representaram 86,58% dos novos contratos em agosto, um máximo histórico na série analisada.
A proporção aumentou face aos 84,97% de julho e aos 68,64% registados em agosto de 2025.
Em sentido contrário, o peso dos contratos com taxa variável recuou para 10,82%, enquanto os empréstimos com taxa fixa representaram apenas 2,60% do total.
Entretanto, a taxa de juro média dos novos contratos de crédito à habitação subiu para 3%, contra 2,95% em julho e 2,85% um ano antes.
A Euribor a seis meses, um dos principais indexantes utilizados nos empréstimos à habitação, atingiu 2,71%, reforçando a pressão sobre os custos de financiamento.
Avaliação bancária das casas atinge novo máximo de 2.254 euros por metro quadrado
A valorização dos imóveis manteve-se em agosto, com a avaliação bancária mediana a atingir 2.254 euros por metro quadrado, mais 14 euros do que em julho e 289 euros acima do valor registado um ano antes.
A subida homóloga foi de aproximadamente 14,7%, segundo os dados reunidos pela Simplefy.
Nos apartamentos, o valor mediano da avaliação bancária aumentou para 2.655 euros por metro quadrado, enquanto nas moradias atingiu 1.610 euros.
O relatório assinala que, desde junho de 2021, quando a avaliação bancária se situava em 1.215 euros por metro quadrado, a valorização acumulada foi de cerca de 85%.
Também os valores das transações imobiliárias continuaram a aumentar. No segundo trimestre de 2026, o montante médio por habitação transacionada atingiu 266.475 euros, um novo máximo na série apresentada, tendo sido registadas 40.142 operações de compra e venda.
Estes indicadores mostram que a recuperação da concessão de crédito decorre em simultâneo com a manutenção de preços elevados no mercado residencial.
Inflação sobe e confiança dos consumidores recua
No plano económico, o Barómetro Simplefy aponta para um crescimento homólogo do Produto Interno Bruto (PIB) de 2,6% no segundo trimestre de 2026, enquanto a inflação subiu para 3,3% em agosto, contra 3,04% em julho.
A confiança dos consumidores registou uma ligeira deterioração, passando de -19,5 para -20,1 pontos, enquanto a taxa de desemprego se manteve nos 5,3%.
A combinação entre a subida dos preços da habitação, o aumento dos juros e a aceleração da inflação poderá continuar a condicionar a capacidade financeira das famílias, apesar do crescimento do volume de crédito concedido.
O Barómetro Simplefy de outubro de 2026 reúne indicadores do Banco de Portugal e do Instituto Nacional de Estatística, referentes sobretudo a agosto, complementados por dados do segundo trimestre sobre a atividade económica e as transações imobiliárias.















