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crédito habitação - freepik

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Crédito à habitação cresce 11% em Julho, atingindo maior ritmo de subida desde 2003

27 de agosto de 2026

O stock de empréstimos para habitação atingiu 118.021 milhões de euros em Julho, aumentando 11% face ao mesmo mês do ano anterior. Trata-se da taxa de crescimento anual mais elevada desde Fevereiro de 2003, segundo os dados divulgados pelo Banco de Portugal (BdP).

Em termos homólogos, o montante de crédito à habitação aumentou 11.697 milhões de euros, enquanto, face a Junho, cresceu 1.223 milhões de euros. A evolução confirma a aceleração do crédito destinado à compra de habitação num contexto de recuperação da actividade no mercado residencial.

O crescimento do crédito à habitação foi superior ao registado pelo conjunto dos empréstimos concedidos a particulares. No final de Julho, o stock total de crédito a particulares ascendia a 153.522 milhões de euros, mais 10,6% do que um ano antes.

Crédito ao consumo também acelera

Nos empréstimos para consumo e outros fins, o stock atingiu 35.500 milhões de euros no final de Julho, mais 177 milhões de euros do que em Junho. A taxa de variação anual fixou-se nos 9,4%.

No segmento empresarial, o stock de empréstimos concedidos pelas instituições financeiras residentes chegou aos 77.985 milhões de euros, um aumento de 438 milhões de euros relativamente a Junho. A taxa de crescimento homóloga acelerou para 6,2%, face aos 5,8% registados no mês anterior.

Segundo o BdP, o crescimento do crédito foi transversal às empresas de diferentes dimensões.

Entre as microempresas, a taxa de variação anual passou de 11,7% em Junho para 12,2% em Julho, enquanto nas médias empresas aumentou de 1,5% para 2,5%. Nas grandes empresas, a taxa manteve-se em 0,7%. Já nas pequenas empresas registou-se uma ligeira desaceleração, de 7,5% para 7,4%.

Construção e imobiliário com crescimento de 12%

Por sectores de actividade, destacam-se a construção e as atividades imobiliárias, cujo crédito cresceu 12% em termos homólogos. Nas indústrias e electricidade, a subida foi de 2,3%.

O crédito ao comércio, transportes e alojamento aumentou 5% face a Julho de 2025, acelerando face aos 4,8% registados em Junho.

Dentro deste conjunto, o crédito ao alojamento e restauração cresceu 5,3%, enquanto o crédito ao comércio aumentou 6,7%. Em sentido contrário, o financiamento ao sector dos transportes e armazenagem recuou 0,9% em termos homólogos.

Depósitos das famílias continuam a aumentar

Do lado da poupança, o stock de depósitos dos particulares nos bancos residentes aumentou 1.453 milhões de euros em Julho, para 206.781 milhões de euros.

Apesar do crescimento mensal, a taxa de variação anual dos depósitos desacelerou para 4,5%, face aos 4,8% registados em Junho.

A evolução mensal foi explicada sobretudo pelo aumento de 1.475 milhões de euros nas responsabilidades à vista, enquanto os depósitos a prazo registaram uma redução de 22 milhões de euros.

Entre as empresas, a tendência foi inversa. O stock de depósitos nos bancos residentes recuou 559 milhões de euros face a Junho, para cerca de 78.530 milhões de euros. Ainda assim, o montante manteve uma taxa de crescimento anual de 11,5%, embora abaixo dos 12,7% registados no mês anterior.

Os dados do Banco de Portugal mostram, assim, uma aceleração particularmente expressiva do crédito à habitação, cujo crescimento anual atingiu em Julho o nível mais elevado em mais de duas décadas, acompanhada por uma evolução positiva do financiamento às empresas, sobretudo nos sectores da construção e actividades imobiliárias.

DI com LUSA