
Construção mantém crescimento em 2026, mas concursos de obras públicas caem 30%
O setor da construção em Portugal mantém uma trajetória de crescimento em 2026, impulsionado pela evolução do consumo de cimento, pela procura de crédito à habitação e pela atividade nos segmentos residencial e não residencial. Contudo, os indicadores das obras públicas revelam uma desaceleração, com o montante dos concursos de empreitadas promovidos até agosto a registar uma quebra homóloga de 30%.
De acordo com os indicadores disponíveis divulgados pela conjuntura da Construção divulgada hoje pela AICCOPN, o consumo de cimento aumentou 6,4% nos primeiros oito meses do ano, enquanto o novo crédito à habitação cresceu 12,5% no mesmo período. Os dados apontam para a continuidade da procura no mercado imobiliário e da atividade de construção, embora persistam desafios relacionados com a oferta de habitação e a concretização do investimento público.
As previsões para 2026 apontam para um crescimento de 4,4% da produção global do setor da construção, com a engenharia civil a apresentar a evolução mais expressiva, estimada em 5,5%.
Preços das casas sobem 16,5%, apesar da redução das transações
No mercado habitacional, a pressão da procura continua a refletir-se nos preços. No segundo trimestre de 2026, o Índice de Preços da Habitação atingiu um novo máximo histórico, com uma valorização de 16,5% face ao período homólogo.
Esta subida ocorreu apesar de uma redução de 6,4% no número de transações, evidenciando que a evolução dos preços não acompanhou a variação do volume de negócios no mercado residencial.
Nos primeiros sete meses do ano, o número de fogos licenciados aumentou 4,5% em termos homólogos. Em contrapartida, a área licenciada para habitação diminuiu 2,2%, uma evolução que evidencia diferenças entre o número de unidades previstas e a dimensão global dos projetos licenciados.
A evolução destes indicadores mantém a necessidade de reforçar a oferta habitacional, num contexto de preços elevados e de dificuldades de acesso à habitação.
Área licenciada para edifícios não residenciais cresce 15,6%
O segmento não residencial apresentou igualmente uma evolução positiva em termos de área licenciada. Nos primeiros sete meses de 2026, esta aumentou 15,6% face ao mesmo período do ano anterior, apesar de o número de licenças emitidas ter diminuído 17,5%.
O crescimento foi impulsionado sobretudo pelos edifícios industriais, cuja área licenciada superou em cerca de 538 mil metros quadrados a registada no período homólogo de 2025.
Estes números mostram que, apesar da redução do número de licenças, os projetos licenciados abrangem uma área global superior, com destaque para a construção industrial.
Concursos de obras públicas recuam 30%
É no segmento das obras públicas que os indicadores revelam os sinais mais evidentes de abrandamento. Até agosto, o montante dos concursos de empreitadas promovidos totalizou 5.584 milhões de euros, menos 30% do que no período homólogo.
Também o valor das empreitadas objeto de contratos celebrados e registados no Portal BASE diminuiu 20%, fixando-se em 3.148 milhões de euros.
A evolução destes dois indicadores aponta para uma redução da contratação de obras públicas, num momento em que a engenharia civil continua a ser identificada como o segmento com maior crescimento previsto para o conjunto do ano.
A concretização dos investimentos previstos assume, por isso, particular relevância para a manutenção da atividade, tendo em conta o peso das obras de engenharia civil na produção global do setor.
Investimento público é determinante para manter o crescimento
O comportamento do setor da construção em 2026 evidencia uma evolução diferenciada entre os vários segmentos. Por um lado, o aumento do consumo de cimento, do crédito à habitação e da área licenciada para edifícios não residenciais sustenta a dinâmica da atividade. Por outro, a redução dos concursos e dos contratos de empreitadas públicas constitui um sinal de abrandamento neste segmento.
A evolução futura dependerá, em parte, da capacidade de concretizar atempadamente os investimentos públicos e de criar condições para aumentar a oferta habitacional.
Com uma previsão de crescimento de 4,4% para a produção global da construção e de 5,5% para a engenharia civil, o setor mantém perspetivas de expansão em 2026. Ainda assim, a evolução dos indicadores de contratação pública poderá assumir um papel importante na trajetória da atividade nos próximos meses.















