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Arquitectura
Arquitectura vernacular e arquitectura de vanguarda de mãos dadas na "Casa do Deserto"

 

Arquitectura vernacular e arquitectura de vanguarda de mãos dadas na "Casa do Deserto"

 

Arquitectura vernacular e arquitectura de vanguarda de mãos dadas na "Casa do Deserto"

30 de janeiro de 2020

No mundo da arquitectura, cada vez mais se impõe um estilo onde prevalecem as linhas rectas, limpas e puras; projectos com uma grande conexão ao exterior, no entanto de mãos dadas com estilos vernaculares.

A Casa do Deserto da Guardian Glass foi concebida sob todos estes parâmetros, seguindo todas as premissas da arquitectura mais vanguardista, algo que atraiu a atenção dos media internacionais, que dela fizeram eco não apenas do ponto de vista arquitectónico, mas também como um exemplo de habitação sustentável e respeitadora do meio ambiente.

Além do mais, A Casa do Deserto é quase inteiramente de vidro, que contrasta fortemente com a arquitectura tradicional do local onde se encontra, no deserto de Gorafe, na região de Guadix (Granada). Esta região, uma das áreas rurais mais singulares e distintas de Espanha, encontra-se entre os casos mais autênticos e de maior interesse da arquitectura vernacular espanhola, com as chamadas habitações trogloditas ou casas-cueva, caracterizadas pela sua beleza e tipicidade. Nesta região, existem quase 2.500 destas casas. Continuam a ser habitadas e a serem construídas.

Estas casas foram sendo escavadas na montanha argilosa, um material natural isolante que faz com que a temperatura interior varie entre 18ºC e 21ºC; quente no inverno e fresca no verão. Uma isotermia que são capazes de manter ao longo de todo o ano, apesar do clima ser muito contrastante sazonalmente. Além deste conforto térmico, estas casas são caracterizadas pelo silêncio e tranquilidade que se sente no seu interior.

Casas trogloditas e casas modernas

Esta região e a sua arquitectura foram a inspiração, mas também o ponto de contraste, para os autores de A Casa do Deserto. Através de uma construção tão aparentemente oposta à do vernáculo, tentou-se criar uma casa que atinja os mesmos objectivos que os habitantes da região buscavam com a construção das suas cavernas. Tradição e modernidade andam de mãos dadas numa arquitectura que procura enfrentar os mesmos desafios e tornar a vida dos seus habitantes mais confortável, onde a temperatura exterior não é impedimento para alcançar um interior confortável e onde a casa seja sinónimo de paz e silêncio, o lugar ideal para descansar. Em A Casa do Deserto conseguimos tudo isto graças a um vidro de camada tripla que protege a casa do frio e do calor. Esta casa é uma experiência onde se pretende mostrar que, com o vidro adequado, é possível obter o máximo conforto no interior, independentemente do frio, calor ou ruído externo. Um vidro que, qualquer um de nós pode ter em sua casa.

Citando Špela Videčnik, arquiteta do OFIS Arquitectura, especialista em meios ambientais extremos, e co-designer de A Casa do Deserto: “Criámos um design para uma paisagem impressionante com condições climatéricas muito adversas. Desafiámos os elementos da natureza construindo uma casa de vidro quase desprotegida destes elementos – ao contrário das casas trogloditas - mas que, por outro lado, se encontra em total harmonia com a paisagem, da mesma forma que as casas-cueva. Os painéis reflectantes que encimam a casa ajudam a criar uma atmosfera de conforto no seu interior, como a parede da caverna em relação ao interior da casa”.

Špela concorda em destacar que, neste tipo de ambiente desértico, o mais difícil é lidar com temperaturas extremas, com picos de cerca de 45ºC durante o dia e que podem ser 0ºC à noite. “Ao projetar A Casa do Deserto, o mais importante era obter o melhor desempenho possível nas condições mais extremas, mantendo a intensa relação entre o interior e o ambiente natural exterior. Era também necessário que a casa tivesse a resistência estrutural adequada contra os fortes ventos e todas as forças verticais. "

“É um belíssimo ambiente selvagem. Ficámos impressionados com a paisagem e a interessante arquitectura vernacular: as casas-cueva. Foi desta forma que as suas gentes se adaptaram ao clima severo da região e, agora, A Casa do Deserto é exactamente o oposto”, concluiu. Uma arquitectura nova e diferente, mas que procura enfrentar os mesmos desafios que a arquitectura vernacular enfrentou.