
Portugal reforça posição entre os principais destinos mundiais para indústria e logística
Portugal ocupa a sexta posição no Nearshoring Index 2026 da Savills, estudo que avalia a capacidade de 54 países para atrair investimento industrial e logístico num contexto marcado pela incerteza económica e geopolítica. O ranking é liderado pelo Canadá, seguido do Japão, Taiwan, Áustria e Reino Unido.
Além de integrar o top 10 mundial, Portugal surge como o terceiro mercado europeu mais atractivo para estratégias de nearshoring, apenas atrás da Áustria e do Reino Unido. O nearshoring tem a ver com a estratégia através da qual uma empresa transfere a produção, montagem ou parte das suas operações para um país próximo do seu mercado principal, em vez de as manter em destinos mais distantes.
O índice foi desenvolvido no âmbito do programa Impacts da consultora imobiliária e analisa os mercados com base em quatro critérios principais: resiliência, factores económicos, ambiente de negócios e desempenho em matéria ambiental, social e de governação (ESG).
Economias desenvolvidas entre os mercados mais bem classificados
Segundo a Savills, o estudo procura identificar os países mais bem posicionados para responder às novas exigências das cadeias globais de abastecimento, numa altura em que muitas empresas procuram reduzir a dependência de determinados mercados ou diversificar a localização da produção.
Os resultados mostram uma predominância de economias desenvolvidas entre os mercados mais bem classificados, evidenciando uma correlação entre o nível de desenvolvimento económico e a capacidade de atrair projectos industriais.
Na Europa, a Áustria lidera o ranking, seguida do Reino Unido e de Portugal. Nas Américas, o Canadá ocupa o primeiro lugar mundial, beneficiando da proximidade e do acesso privilegiado ao mercado norte-americano. Já na região Ásia-Pacífico destacam-se países como Japão, Vietname e China, reflectindo a importância da região na indústria transformadora global.
De acordo com Connor Chilton, associado da equipa de World Research da Savills, a decisão sobre a localização de operações industriais tornou-se mais complexa devido ao actual contexto económico e geopolítico. Além dos custos, as empresas valorizam cada vez mais factores como a resiliência das cadeias de abastecimento, a segurança energética, o enquadramento regulatório, a disponibilidade de mão de obra e a proximidade aos mercados consumidores.
A consultora destaca ainda uma mudança nas estratégias logísticas das empresas, que têm vindo a substituir modelos de abastecimento "just-in-time" por abordagens "just-in-case", privilegiando maiores níveis de stock e a localização dos armazéns junto dos consumidores finais. Esta tendência tem contribuído para o aumento da procura por espaços logísticos e de armazenagem.
A crescente atractividade de Portugal
Para Tiago Cortez, Industrial, Logistics & Data Centres Associate Director da Savills Portugal, a posição alcançada por Portugal confirma a crescente atractividade do país para a instalação de novas unidades industriais.
"O facto de Portugal ocupar o sexto lugar mundial e integrar o top 3 europeu demonstra que o mercado nacional oferece um equilíbrio competitivo entre estabilidade operacional, ambiente de negócios e elevados padrões ESG", afirma o responsável.
Segundo a Savills, o nearshoring representa uma oportunidade relevante para diversificar a base produtiva nacional e impulsionar o crescimento económico de forma sustentada, num contexto em que as empresas procuram mercados estáveis para localizar novas operações industriais e logísticas.
















