
Condomínio La Réserve - Foto Portugal Sotheby's International Realty
Longevidade redefine o imobiliário de luxo e posiciona Portugal como destino residencial premium
A longevidade está a tornar-se um dos principais motores de transformação do mercado imobiliário de luxo mundial. A conclusão é do relatório 2026 Mid-Year Luxury Outlook®, divulgado pela Portugal Sotheby's International Realty, que revela uma mudança significativa nas prioridades dos compradores de elevado património.
Se durante décadas a localização, a arquitectura e o potencial de valorização patrimonial foram os principais critérios de decisão, hoje os compradores procuram algo mais abrangente: casas que lhes permitam viver melhor, durante mais tempo e com maior qualidade de vida.
A nova geração de proprietários de luxo privilegia imóveis preparados para acompanhar diferentes fases da vida, integrando conceitos de wellness, tecnologia, conforto, privacidade e uma forte ligação à natureza. O objectivo é claro: criar ambientes que permitam envelhecer em casa de forma autónoma, saudável e segura.
Esta transformação acompanha o crescimento da chamada economia da longevidade. Segundo dados da UBS Global Wealth Management citados no estudo, este mercado deverá crescer de 5,3 biliões de dólares, registados em 2023, para 8 biliões de dólares em 2030.
Ao mesmo tempo, o segmento do wellness real estate — imobiliário orientado para o bem-estar — mais do que duplicou nos últimos cinco anos e deverá ultrapassar os 1,1 biliões de dólares até 2029, de acordo com dados do Global Wellness Institute.
Portugal surge particularmente bem posicionado neste novo paradigma. O país reúne um conjunto de características cada vez mais valorizadas pelos compradores internacionais: segurança, clima ameno, proximidade ao mar, elevada qualidade de vida, cidades de escala humana, riqueza cultural, gastronomia reconhecida internacionalmente e boa conectividade aérea.
De Lisboa a Cascais, do Estoril ao Algarve, passando pelo Porto, Comporta e Madeira, Portugal afirma-se cada vez mais como um destino residencial de longo prazo, onde a componente patrimonial se alia ao bem-estar e à construção de um legado familiar.
“Estamos perante uma evolução muito clara no conceito de luxo no sector do imobiliário. Os compradores já não procuram apenas uma propriedade exclusiva ou uma localização de prestígio; procuram uma casa que responda à forma como querem viver, trabalhar, cuidar da família e envelhecer”, afirma Miguel Poisson, CEO da Portugal Sotheby's International Realty.
Segundo o responsável, a longevidade, o bem-estar, a privacidade e a qualidade de vida estão a tornar-se factores tão determinantes como a localização ou a valorização patrimonial.
O relatório mostra ainda que quase 38% dos profissionais especializados em propriedades acima dos 10 milhões de dólares identificam a possibilidade de envelhecer na própria residência como um factor cada vez mais relevante nas decisões de compra.
Ao mesmo tempo, o mercado de luxo continua a demonstrar uma resiliência superior à do mercado residencial tradicional, beneficiando da acumulação de riqueza, da valorização dos mercados financeiros e da menor dependência do crédito por parte dos compradores de elevado património.
Também o perfil dos compradores está a mudar. Os Millennials assumem um papel cada vez mais relevante, impulsionados pela criação de riqueza em áreas como a tecnologia, os mercados financeiros e os ativos digitais, bem como pelas transferências intergeracionais de património.
Segundo o estudo, 66% dos profissionais inquiridos registaram um aumento deste perfil de comprador, percentagem que sobe para 73% no segmento de imóveis acima dos cinco milhões de dólares.
Outra das conclusões relevantes do relatório prende-se com o crescente peso do estilo de vida nas decisões imobiliárias. Cerca de 62% dos profissionais do sector consideram que o lifestyle já ultrapassa factores tradicionalmente determinantes, como a carga fiscal, a estabilidade económica ou a estabilidade política.
Esta realidade favorece mercados capazes de oferecer uma proposta de vida diferenciadora, assente no equilíbrio entre bem-estar, natureza, segurança, cultura e serviços.
Apesar das mudanças, as grandes cidades globais continuam a demonstrar elevada capacidade de atracção. Mercados como Nova Iorque, São Francisco, Hong Kong e Milão mantêm uma procura sólida no segmento prime, sustentada pela concentração de capital, talento, cultura, serviços e conectividade internacional.
No entanto, a mensagem central do relatório é clara: o luxo residencial está a deixar de ser apenas uma questão de exclusividade para passar a representar uma nova forma de viver, onde a casa assume um papel determinante na promoção da saúde, do bem-estar e da longevidade.

















