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Logística e industrial ganham peso no imobiliário português em 2026

29 de maio de 2026

O sector de logística e industrial está a reforçar o seu protagonismo no mercado imobiliário português, impulsionado pelas novas dinâmicas internacionais associadas ao nearshoring, ao crescimento do comércio electrónico e à reorganização das cadeias de abastecimento. A conclusão é da Colliers Portugal, que acaba de divulgar o relatório Investment in Portugal Q1 2026 Snapshot.

Segundo a consultora, o segmento de industrial & logistics (I&L) registou, no primeiro trimestre de 2026, um volume de investimento de 40 milhões de euros, representando um crescimento de 111% face à média de 2025, tornando-se um dos segmentos com maior dinâmica de crescimento no arranque do ano.

Para Pedro Valente, “estamos a assistir a uma mudança estrutural no mercado logístico português”. O responsável destaca que “a procura por activos modernos, eficientes e bem localizados continua a crescer, sobretudo nas áreas metropolitanas de Lisboa e Porto, onde a escassez de oferta de qualidade permanece um desafio”.

A análise da consultora revela que os investidores continuam particularmente focados em activos com forte capacidade operacional, localizações estratégicas e potencial de valorização de longo prazo. Plataformas logísticas ligadas aos principais corredores de distribuição e activos capazes de responder às exigências crescentes de eficiência operacional, sustentabilidade e flexibilidade continuam a concentrar o maior interesse.

Ao mesmo tempo, a Colliers antecipa que as estratégias value-add e operações de sale & leaseback deverão ganhar maior expressão no mercado português ao longo de 2026, acompanhando a maturação do setor e o aumento da procura institucional.

“O sector logístico beneficia hoje de fundamentos muito sólidos. O crescimento do e-commerce, a necessidade de encurtar cadeias de abastecimento e a crescente procura por infraestruturas modernas estão a transformar este segmento num dos mais estratégicos para investidores internacionais”, acrescenta Pedro Valente.

Apesar do aumento da procura, as yields prime mantiveram-se estáveis no primeiro trimestre do ano, situando-se nos 5,75% em Lisboa e nos 6% no Porto. Segundo a Colliers, esta estabilidade reflete um contexto de maior previsibilidade macroeconómica e financeira, marcado pela estabilização da Euribor e pela expectativa de manutenção de condições monetárias mais equilibradas por parte do Banco Central Europeu.

A consultora sublinha ainda que Portugal continua a beneficiar de vários fatores estruturais favoráveis ao crescimento do setor logístico e industrial, nomeadamente a localização estratégica no contexto europeu e atlântico, os custos operacionais competitivos, a estabilidade institucional e a crescente capacidade de atração de investimento estrangeiro.

A procura associada a operações de nearshoring e reorganização industrial deverá continuar a beneficiar o mercado nacional, sobretudo em ativos ligados à distribuição, armazenagem e last-mile logistics. Em paralelo, a escassez de ativos modernos disponíveis continua a gerar pressão sobre a oferta, reforçando o potencial de valorização de projetos de nova geração.

A Colliers acredita, por isso, que o mercado logístico e industrial português deverá manter uma trajetória positiva ao longo dos próximos trimestres, sustentado pela continuidade da procura internacional e pela consolidação de Portugal enquanto plataforma operacional estratégica no Sul da Europa.

“O capital continua presente no mercado, mas está hoje mais disciplinado e focado em segmentos com maior liquidez, estabilidade operacional e potencial de crescimento estrutural. A logística encaixa perfeitamente nesse perfil”, conclui Pedro Valente.

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