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Lisboa e Porto concentram 82% dos planos de expansão logística em Portugal

 

Lisboa e Porto concentram 82% dos planos de expansão logística em Portugal

13 de outubro de 2026

O setor imobiliário logístico português mantém perspetivas de crescimento, com Lisboa e Porto a assumirem-se como os principais destinos dos planos de expansão dos operadores. De acordo com o Logistics Confidence Index 2026, desenvolvido pela CBRE e pela Logicor em parceria com a Analytiqa, 82% dos planos de investimento para expansão ou instalação de novas operações logísticas nos próximos 12 meses estão concentrados nestas duas regiões.

O estudo revela que, apesar de um contexto económico marcado pela incerteza, os operadores logísticos continuam a apostar no crescimento. Cerca de 80% dos inquiridos tencionam aumentar a área de armazenagem, enquanto 60% esperam registar um aumento do volume de negócios e 70% planeiam realizar investimentos de capital significativos no próximo ano.

Os resultados apontam para um mercado sustentado pela procura de instalações maiores, mais modernas e eficientes, num contexto em que a escassez de oferta continua a condicionar a disponibilidade de espaços logísticos.

Operadores mantêm aposta no crescimento

As intenções de investimento dos operadores logísticos contrastam com a postura mais cautelosa dos setores do retalho e da indústria, que privilegiam a otimização de custos e a manutenção das instalações existentes.

Além dos planos de expansão da capacidade de armazenagem, 56% dos operadores logísticos inquiridos esperam aumentar o número de colaboradores nos próximos 12 meses. No que respeita ao investimento de capital, a percentagem de empresas que prevê realizar investimentos significativos atinge os 70%, face a 42% entre retalhistas e fabricantes.

Para André Machado, Senior Director e Country Lead da Logicor Portugal, os resultados evidenciam a necessidade de acompanhar a expansão do setor com a modernização das infraestruturas.

"Apesar de um sentimento geral de incerteza, 80% dos operadores logísticos planeiam expandir o seu espaço de armazém nos próximos 12 meses, ao mesmo tempo que a obsolescência das instalações existentes é o principal desafio partilhado por todos os intervenientes", afirma o responsável.

Segundo André Machado, o desenvolvimento de novas infraestruturas e a modernização dos ativos existentes serão determinantes para responder às necessidades de expansão, sobretudo nos principais corredores logísticos de Lisboa e Porto, e às crescentes exigências tecnológicas e de eficiência dos setores retalhista e industrial.

Lisboa e Porto lideram as preferências

A Grande Lisboa concentra 47% das intenções de expansão e instalação de novas operações logísticas, enquanto o Grande Porto representa 35%. Em conjunto, as duas regiões reúnem 82% dos planos identificados pelo estudo, reforçando a sua posição como principais polos logísticos nacionais.

Entre os fatores que deverão impulsionar o mercado em 2026, os inquiridos destacam o desenvolvimento de infraestruturas adequadas, apontado por 26% dos participantes. Seguem-se o investimento contínuo em tecnologia de armazenagem, com 23%, e o crescimento sustentado do comércio eletrónico, referido por 22%.

A modernização do parque logístico surge, assim, como uma oportunidade de criação de valor, tanto através da renovação dos ativos existentes como do desenvolvimento de instalações preparadas para responder a novas exigências operacionais.

Portugal com taxas de desocupação abaixo de 2%

A escassez de espaços disponíveis continua a distinguir o mercado português de outros mercados europeus. Segundo o relatório, enquanto a taxa de desocupação logística na Europa se aproxima dos 5,8%, em Portugal permanece abaixo de 2% em Lisboa e de 1% no Porto.

Esta situação contrasta com a evolução registada ao longo da última década, durante a qual o parque logístico nacional aumentou de 4,1 milhões para quase 6 milhões de metros quadrados.

No mesmo período, as rendas médias cresceram de 3,50 euros para cerca de 6 euros por metro quadrado, tanto em Lisboa como no Porto, refletindo a valorização dos espaços logísticos num mercado marcado pela reduzida disponibilidade.

Para Nuno Torcato, Head of Industrial & Logistics da CBRE Portugal, estes indicadores confirmam a solidez dos fundamentos do setor, apesar das oscilações da confiança associadas ao contexto económico.

"A procura mantém-se ativa, a disponibilidade permanece em mínimos históricos e a necessidade de infraestruturas modernas continua a gerar oportunidades de investimento e desenvolvimento em todo o país", sublinha o responsável.

Resiliência das cadeias de abastecimento ganha importância

A expansão do setor está também associada à necessidade de reforçar a resiliência das cadeias de abastecimento. Perante as perturbações recentes, as empresas a operar em Portugal identificam o reforço do planeamento de contingência, referido por 27% dos inquiridos, e uma colaboração mais estreita com os principais fornecedores, apontada por 22%, como as principais medidas de resposta.

Esta abordagem privilegia a preparação para eventuais riscos e o reforço das relações com parceiros estratégicos, em vez de uma aposta prioritária na diversificação das fontes de aquisição.

O relatório conclui que o desenvolvimento de infraestruturas, a inovação tecnológica e a expansão do comércio eletrónico deverão continuar a sustentar a procura de espaços logísticos. Neste contexto, a modernização das instalações existentes e a disponibilização de ativos mais eficientes e tecnologicamente avançados serão essenciais para concretizar os planos de crescimento dos operadores e reforçar a competitividade de Portugal enquanto plataforma logística.

O Logistics Confidence Index 2026 baseia-se num inquérito realizado pela Analytiqa, em nome da CBRE e da Logicor, junto de 35 quadros superiores dos setores da logística, do retalho e da indústria com atividade em Portugal.

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