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Hotelaria fecha verão com menos ocupação e preços mais elevados. Lisboa contraria tendência nacional

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Hotelaria fecha verão com menos ocupação e preços mais elevados. Lisboa contraria tendência nacional

20 de outubro de 2026

A hotelaria portuguesa encerrou o verão de 2026 com uma taxa de ocupação de 80%, menos um ponto percentual do que em 2025, mas com um aumento de 3% no preço médio por quarto. A Grande Lisboa foi a única região a registar quebras em todos os indicadores, segundo a Associação da Hotelaria de Portugal (AHP).

Os resultados constam do inquérito Balanço Verão & Perspetivas Outono 2026, apresentado esta segunda-feira, 19 de outubro, pela AHP, com base nas respostas de 403 empreendimentos turísticos recolhidas entre 28 de setembro e 11 de outubro.

Entre junho e setembro, o preço médio por quarto ocupado (ARR) atingiu 171 euros, enquanto o rendimento por quarto disponível (RevPAR) aumentou 1%, para 137 euros. No conjunto dos inquiridos, 53% consideraram que o verão foi melhor ou muito melhor do que o de 2025, contra 28% que reportaram resultados inferiores.

Grande Lisboa com quebras na ocupação, preços e receitas

A Grande Lisboa apresentou o desempenho menos favorável, sendo a única região a registar descidas nos três principais indicadores. A taxa de ocupação recuou dois pontos percentuais, para 82%, o preço médio diminuiu 1%, para 173 euros, e o RevPAR caiu 4%, para 142 euros.

Apesar de os valores permanecerem acima da média nacional, 57% dos hoteleiros da região consideraram que o verão foi pior do que o do ano anterior.


Cristina Siza Vieira, vice-presidente da AHP


A vice-presidente executiva da AHP, Cristina Siza Vieira, atribuiu o abrandamento à crescente oferta hoteleira e às limitações de capacidade do Aeroporto Humberto Delgado, agravadas pelos tempos de espera dos passageiros. A responsável recordou ainda que Lisboa já vinha a apresentar sinais de estabilização da procura.

Em sentido contrário, o Alentejo registou a evolução mais favorável, com um aumento de dois pontos percentuais na ocupação, de 5% no preço médio e de 7% no RevPAR.

A Madeira apresentou a taxa de ocupação mais elevada, de 90%, enquanto o Algarve liderou nos valores absolutos, com um preço médio de 228 euros por quarto ocupado e um RevPAR de 195 euros.

Reservas abrandam no último trimestre, mas preços resistem

As perspetivas para os últimos três meses do ano revelam maior prudência. Segundo a AHP, 45% dos hoteleiros tinham, à data do inquérito, reservas para outubro inferiores às registadas um ano antes. A percentagem sobe para 61% em novembro e situa-se nos 53% em dezembro.

Apesar deste abrandamento, 60% dos inquiridos antecipavam preços superiores aos de 2025 em outubro, 54% em novembro e 48% em dezembro.

Cristina Siza Vieira considera que a redução das reservas antecipadas poderá estar relacionada com a crescente tendência para marcações de última hora, num contexto de instabilidade económica e geopolítica.

Entre os principais mercados emissores para o outono, Portugal mantém a liderança, seguido do Reino Unido, Estados Unidos, Alemanha e Espanha. O mercado britânico perde, contudo, importância relativa, enquanto o alemão ganha expressão.

Custos operacionais e excesso de oferta preocupam hoteleiros

A instabilidade económica e geopolítica continua a ser a principal preocupação do setor, referida por 61% dos inquiridos. Seguem-se o aumento dos custos da energia e combustíveis (58%) e a subida dos custos operacionais (52%).

A preocupação com o excesso de oferta de alojamento turístico aumentou significativamente, passando de 7% para 23% das respostas. Segundo dados da consultora Lodging Econometrics citados pela AHP, Portugal apresenta um dos maiores volumes de novos projetos hoteleiros em desenvolvimento na Europa, com mais de 14 mil quartos previstos e uma concentração importante de investimentos em Lisboa.

Apesar dos sinais de abrandamento, a associação mantém perspetivas de crescimento para o conjunto de 2026, estimando 7,4 mil milhões de euros em proveitos totais do alojamento turístico, mais 5% do que em 2025.

As projeções apontam ainda para 32,9 milhões de hóspedes (+1,5%), 83,1 milhões de dormidas (+1,4%) e receitas turísticas de 30 mil milhões de euros (+3%).

A AHP ressalva, contudo, que a inflação e o agravamento dos custos operacionais poderão limitar o crescimento real dos resultados do setor.