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Energia torna-se fator decisivo na procura de espaços logísticos na Europa
A disponibilidade de potência elétrica está a ganhar peso na escolha de instalações logísticas na Europa, com 89% das empresas a preverem um aumento das necessidades energéticas nos próximos três anos, segundo um estudo da BGRE e da Savills.
O relatório European Logistics Census 2026, baseado num inquérito a 628 participantes, incluindo 504 empresas ocupantes, revela que a procura de espaços logísticos se mantém, embora as decisões sejam mais demoradas e os requisitos técnicos mais exigentes.
Segundo o estudo, 47% das empresas preveem aumentar a área de armazenagem nos próximos três anos, enquanto 54% admitem abandonar pelo menos uma instalação. A preferência recai sobre edifícios modernos: 47% procuram construção nova e igual percentagem considera soluções desenvolvidas à medida (build-to-suit), contra 19% que admitem imóveis usados.
A energia surge como uma das principais condicionantes. Cerca de 26% dos ocupantes afirmam já não dispor de potência suficiente nas instalações atuais e metade considera prioritário o investimento público em infraestruturas energéticas.
A crescente utilização de tecnologia deverá acentuar estas necessidades, com mais de metade das empresas a planear aumentar o investimento em inteligência artificial e 42% em automação de armazéns.
Apesar da maior seletividade, a atividade de ocupação mantém-se. Até junho de 2026, a área logística contratada na Europa atingiu 14,01 milhões de metros quadrados, mais 21% do que no período homólogo.
No mercado de investimento, o volume transacionado em ativos logísticos totalizou 18,7 mil milhões de euros no primeiro semestre, ficando 10% abaixo da média de longo prazo. Ainda assim, 81% dos investidores identificam os imóveis logísticos de qualidade superior (prime) como prioridade, contra 73% em 2025.
Portugal
Portugal ocupa o nono lugar entre os países europeus onde as empresas procuram novos espaços logísticos, subindo duas posições face ao estudo anterior. França e Alemanha lideram as preferências dos ocupantes, enquanto Reino Unido, Espanha e Alemanha são os mercados mais procurados pelos investidores.
Para Tiago Cortez, responsável da área Industrial, Logística e Data Centres da Savills Portugal, a disponibilidade de potência elétrica, o peso das energias renováveis e os custos energéticos constituem fatores de competitividade do mercado português.
O estudo conclui que a procura logística deverá manter-se, mas concentrar-se-á cada vez mais em edifícios modernos, bem localizados e com capacidade energética e tecnológica adequada às operações das empresas.

















